sexta-feira, 15 de maio de 2009

MEU RELATO DE PARTO

Na segunda-feira passada, dia 4 de maio, tive minha última consulta com a Dra. Norma. Antes disso, nos vimos na quinta e ela fez um toque bem caprichado, pra ver se o Tiago começava finalmente a se animar pra conhecer o mundo. No dia 4 eu faria 40 semanas e estava decidida a não esperar muito se passasse deste prazo.

Passamos o feriadão de primeiro de maio na maior tranqüilidade. Comemos comida nordestina, fomos à praia, passeamos... Juro que esperava uma surpresa dele. Queria mesmo que a bolsa rompesse, que as dores começassem... Qualquer coisa bem de novela, sabe? Mas o máximo que aconteceu foram algumas contrações mais fortes... E quando chegamos no consultório na segunda de manhã, eu já sabia que meu colo não tinha dilatado nem um milímetro. E também já sabia o que fazer a seguir.

A médica me perguntou se eu queria fazer uma cesárea e eu mandei na lata que, se desse, queria naquele dia mesmo. Antes perguntei se valia à pena esperar mais um pouco, claro. Mas ela me tirou as esperanças. Do jeito que a coisa ia, uma indução não ia funcionar. E eu provavelmente passaria horas em sofrimento pra acabar em uma mesa de cirurgia. Então, se tinha que ser assim, que fosse logo, pra nem dar tempo de pensar.

E assim foi. Sem tempo de pensar mesmo!! Cheguei em casa, comi uma sopinha que minha mãe preparou em minutos, de tão nervosa, tomei um copo de suco de laranja bem doce... E entrei em jejum.

Ainda sentei no computador, paguei meu INSS, dei entrada no pedido de salário maternidade, paguei umas outras contas, mandei uns emails e aí fui tomar um banho bem demorado. Até pensei que neste momento eu desabaria, que a ficha finalmente cairia, mas a minha calma era impressionante.

Ainda estávamos planejando uma passadinha no shopping, pois minha mãe precisava pagar o carnê da Renner... Tudo bem trivial, como outra tarde qualquer de segunda-feira. A gente passa no shopping, depois dá um pulo no hospital e tem um filho, e se der ainda pega um cineminha depois hahahahahaha!!!

A sensação que eu tinha era a de que estava indo fazer uma pequena cirurgia, como uma lipo, ou coisa parecida. Não tinha me dado conta ainda das conseqüências. Saímos de casa pouco depois das três da tarde, com as malinhas no carro, e só então notamos a tempestade que vinha se aproximando. Em cinco minutos o céu ficou preto, mas preto mesmo. Tanto que as luzes dos postes se acenderam, como se a noite já tivesse chegado.

Claro que abortamos a ida ao shopping e fomos direto pra Casa de Saúde, né? Chegamos lá ainda a tempo de estacionar o carro na última vaga possível... E aí caiu uma chuva de pedra. Depois de cinco minutos, o tapete na entrada da maternidade estava coberto de pedaços enormes de gelo. Simplesmente surreal!

Entreguei minha documentação na recepção e logo fui chamada para uma consulta com o plantonista. Engraçado é que eu estava tendo contrações e ele pôde ver que eram bem fortes. Mas meu útero continuava alto, fechado... Não tinha jeito – às 19:15h eu ia entrar mesmo na faca.

Marco chegou e nos encontrou ainda a espera da liberação do quarto. De repente uma enfermeira me chamou e mandou que eu tirasse as bijus e penduricalhos. Só então senti que a hora estava chegando – e comecei a me preocupar um pouco.

Marco e mamãe subiram pra deixar as coisas no quarto e já me encontraram na volta com uma bela camisola e um soro espetado no pulso. A touquinha, então, nem me fale... Um charme!!

Tiramos fotos, conversamos, fizemos de conta que tudo estava calmo... E eu finalmente convenci o Marco de que ele não precisava assistir a cesárea. Ele estava apavorado, e eu sentia que ele só entraria na sala por minha causa, pra estar comigo. Quando finalmente estava decidido que ele não ia, Dra. Norma chegou e o convenceu do contrário em 3 minutos. Quando vi, Marco já estava com a autorização nas mãos e indo pra recepção acertar a taxa de acompanhante... Ele fez tudo sem pensar, que nem eu. Que bom!

Quando vieram me buscar, minha preocupação já tinha virado pânico. Andei até a sala de cirurgia, grande e clara, com aquela cama no meio, e só então a tremedeira começou. Fui apresentada à equipe e sentada na cama, de lado. O anestesista veio por trás e uma enfermeira me abraçou pra que eu tomasse a ráqui sem sair correndo. Dei um belo beliscão no braço dela quando senti a primeira espetada, mas depois fiquei mais calma – e até ri quando o anestesista disse que aplicaria outra vez, só pra eu beliscar a pobre coitada com mais força hehehehehehe!!

Logo que me deitaram, comecei a sentir a parte de baixo do corpo formigando. Era como se tivessem desenhado uma linha no meio da minha barriga. E daquele ponto pra baixo eu fui perdendo a sensibilidade aos poucos.

Eu ia relatando ao anestesista tudo o que estava sentindo. E quando disse que não conseguia mais mexer a perna, ele suspirou aliviado e disse: “Ufa! Finalmente uma anestesia minha pegou!!” – Como esse povo de hospital é engraçadinho, né?

Quando a Dra. Norma se aproximou, eu já estava de braços abertos, monitorada, pronta pro abate. Marco ainda não tinha entrado, e aí eu me preocupei de verdade, pois a porta da sala era na frente da cama, ou seja, quando entrasse, ele ia ver tudo o que estava se passando.

Vi quando o pessoal trouxe ele pra dentro, andando duro feito um robozinho. A essa altura eles já estavam me cortando e eu já estava mais relaxada, pois realmente não sentia qualquer tipo de dor.

Marco se sentou atrás de mim e eu fui relatando o que sentia. Às vezes era como se eu fosse uma sacola, e alguém estivesse vasculhando lá dentro, a procura de alguma coisa. A sensação é a mais estranha do mundo... Me fez lembrar do que as pessoas dizem sobre cesárea – “é só abrir e tirar! Muito melhor do que ficar sentindo dores...” – não sei se eu concordo mais com isso...

Em menos de dez minutos o pessoal anunciou que o Tiago ia nascer. Um dos médicos veio por trás da minha cabeça e disse que empurraria por cima, pra ajudar a Dra. Norma a puxar o bebê. Achei aquilo assustador, mas a esta altura, eu era só adrenalina. Nem lembro o que senti quando o empurrão aconteceu. Só lembro da voz deles, dando as boas vindas ao meu filho, e do choro que soou em seguida pela sala, acompanhado pela minha vontade louca de olhar aquela pessoa que já estava aqui há meses – mas finalmente a gente podia conhecer ao vivo.

Quando o médico passou ao meu lado e me mostrou o Tiago, achei ele bem pequeno, menor do que eu esperava. Marco ficou sem reação – e eu só pedia que ele fosse lá, que visse se estava tudo bem com ele. Quando ele voltou pro meu lado, já trouxe o embrulhinho azul junto do peito, aos berros. Beijei a cabecinha do meu filho pela primeira vez de muuuuuitas... E o tempo parou um pouquinho, só pra caber tanta felicidade.

Fomos interrompidos pelo pediatra, que perguntou o que o Marco tinha no bolso da camisa. Como assim??? Era a câmera, claro. Acho que 120% dos pais deve fazer a mesma coisa: colocar a câmera no bolso e simplesmente se esquecer dela depois deste momento louco, que é o nascimento.

Tiramos muitas fotos, rezamos um Pai Nosso em família, assistimos nosso filhote chupar suas mãozinhas loucamente, já demonstrando que tinha puxado sua mamãe esfomeada. Rimos do berreiro dele, rimos de tudo aquilo, esquecemos até que eu estava ainda sendo costurada e remendada naquela mesa...

Tiago ficou o tempo inteiro conosco. E quando saiu, já foi pro elevador com a vovó babona, chorando muito... Eu fiquei lá na máquina de costura, até que a equipe se despediu e vieram 4 enfermeiras pra me levar embora. Aí tive mais um pouco de medo, pois eu via o reflexo das minhas pernas, via como estavam mexendo em mim, e não conseguia sentir nada daquilo!!

Fui arrastada da cama para uma maca, depois levada pelos corredores e arrastada para a cama do quarto 309. A tremedeira voltou um pouco, mas eu estava bem acordada, com vontade de falar, mas ainda um bocado de medo. Eu temia que alguma reação acontecesse, que eu desmaiasse, que um contratempo qualquer atrapalhasse tanta alegria. Mas graças a Deus o efeito foi passando, comecei a sentir os membros formigando, e logo trouxeram meu pacotinho amarelinho para mamar, todo cheiroso e cheio de disposição.

A enfermeira o colocou no peito logo na primeira tentativa – mas a minha posição era bastante complicada. Depois da anestesia, não se pode levantar nem a cabeça por 6 horas, pelo menos... E ainda tinha a sonda, o soro, o corte, tudo muito desconfortável.

Meu pai chegou alguns minutos depois de eu entrar no quarto. Ficamos juntos por um tempo, até que ele e Marco foram pra casa e eu passei a primeira noite com minha mãe e meu filho.

Esse negócio de alojamento conjunto é meio assustador no princípio. As enfermeiras dizem o ramal que a gente deve ligar se tiver algum problema, dão boa noite... E tchau! Deixam aquele “estranho” no seu colo, sem manual de instruções hahahahahaha!!!

Claro que dormimos muito pouco esta noite. Tiago foi quem dormiu melhor, na verdade. Depois de algumas tentativas no bercinho, percebemos que ele só ficava quietinho mesmo no meu braço. E assim passamos a noite inteira – eu toda torta, tentando não espremer muito o coitadinho; minha mãe colocando almofadas, com medo que eu adormecesse e jogasse o menino no chão – e ele lá, todo torto, aconchegado no peito preferido dele hehehehehe!! Que vida boa!!

No dia seguinte, demos uma folga pros meus pais e o Marco ficou conosco o dia todo. Logo pela manhã, tiraram meu soro e a sonda – e eu recebi uma visita da Dra. Norma. Meu café da manhá era dieta líquida... Mas logo ela viu que eu estava bem e merecia comer ao menos um pãozinho!! A esta altura, a sopinha de ontem já tinha descido pela sonda faz tempo!!!

Aliás, tive muita dificuldade pra fazer o primeiro xixi depois da retirada da sonda, mas um telefonema da tia Regina me incentivou – e no meio da tarde eu tinha conseguido vencer a dor e obrigar meu corpo a funcionar novamente. Acho que esta é a parte mais estranha da recuperação em uma cesárea. Não sei se em PN também é assim, mas a impressão que temos é a de que tudo foi recolocado dentro da gente de qualquer jeito. Eu apalpava minha barriga e sentia partes mais duras, pedaços que podiam ser ainda as perninhas do Tiago... mas não eram, né? Ele estava ali, com todas as perninhas do lado de fora!!

O que acontece é que a musculatura da pelve não obedece mais aos comandos. Por isso, tanto o número um quanto o número dois parecem coisas impossíveis de se fazer. E a gente vai se sentindo entupida por dentro... Bem ruim!!

Mas não quero ficar apavorando ninguém, viu? Já no primeiro dia eu tomei banho sozinha e daí pra frente a minha recuperação tem sido muito rápida. Recebi alta na quarta de manhã cedo, tirei meus pontos na terça desta semana, já estou fazendo praticamente tudo – e também já me acostumei com uma cinta méééééga-apertada, que eu só consigo vestir deitada. É o único jeito de reduzir a barriguinha estranha que fica de herança depois do encolhimento a jato!!!!

Desde o parto eu já perdi 7kg – agora falta só um pouquinho pra recuperar os 8.5kg que ganhei, mais os 2 ou 3 que já estavam sobrando antes de engravidar – aqueles que todo mundo sempre tem hehehehehe!! Se Deus quiser, e com a ajuda do meu pequeno mamãozinho, em breve estarei magrelinha outra vez!!

Ufa! Se você chegou até aqui, é porque realmente eu escrevo bem, ou porque você gosta muito de mim, né? Affff!!!!! Quase um testamento!!!!!

Mas eu queria escrever muito mais. Aliás, eu queria conseguir escrever todas as emoções e experiências, todo o aprendizado e o indescritível amor que acontece em nós quando nos tornamos mães. Talvez seja até melhor que eu não consiga expressar estas coisas. Afinal, cada um sente de um jeito, né?

Mas de uma coisa você pode ter certeza...



Ainda não inventaram nada mais bonito e intenso nesta vida!!!!!!!

8 comentários:

Maga disse...

Nanda,

Estava ansiosa esperando seu relato, estava passando todos os dias aqui para ver se já tinha alguma coisa...
Estou programando meu piolhinho pro ano que vem e tenho aprendido muito por aqui, gostei muito de saber que sua cesárea foi tranquila, parabéns pelo Tiago ele é uma graça, só não se esqueça de nós aqui, relate seus primeiros dias também, sei que deve ser difícil sair do lado dele, mas queremos aprender com você e saber como são as descobertas!
Parabéns pelo lindo relato!

Andreia disse...

Menina que ansiedade que eu estava pra ler seu relato!
Sabia que você ia transbordar amor e felicidade! É o máximo mesmo, é um infinito de amor!
Eu li o relato até o finalzinho viu?! Uma porque vc escreve bem e outra porque gosto de você também! rsrsrsrsr

Beijão amiga e que filhote lindo você tem nos braços!!!!!

Nataly Monteiro disse...

Nanda, eu cheguei até o fim do texto pelos dois motivos :-)) Obrigada por dividir momentos tão especiais. O Tiago é lindo! Parabéns, parabéns. Muita saúde! Beijos, Nataly

Luciana disse...

Lindo o seu relato. Gostei muito.
O Tiago eh muito lindo e simpatico, esse sorriso dele tah de mais.
Realmente eh a melhor sensacao do mundo quando nos tornamos mae. Na opiniao eh indiscritivel e so passando pela experiencia para poder saber.
Mais uma vez Nanda meus parabens.
Curte muito seu bebe porque esses primeiros meses sao os mais gostosos que tem, na verdade todos os anos com seu filho sao maravilhosos, mas quando eh assim novinho eh o mais gostoso. rs

Renato (Pomarola) manda lembrancas para vc.
Beijos grendes e muita felicidade para vcs e saude para seu filhao.

Gravida e Gata (by Dani Donda) disse...

Eu cheguei ate o final, pq vc escreve muito bm, e pq gosto mto de vc, sem mesmo conhece-la..
Amei o relato...
O Tiago é um gato.
risonho né????
Recupere-se bem, agora.
bjokassss

Sarinha disse...

Aii ele é um gatinho Nanda
Lindo lindo.
Parabéns..
E agora vamos lá para novas descobertas né..

Não some.

BJs

Andrelina Augusta Moreira disse...

Nandinha, foi vc que fez essa coisinha fofaaaaaa????? KKKKK
Tô tetando, mas ainda não deu. Bjs

Sarinha disse...

Aiii cade vc??

Vc tem outro blog?Alguém ai sabe da nanda??
To com saudades quero noticias!!!!

Bjs

 

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