Inspirada no relato da Nanda e no fato de agora ter uma babá que tome conta do meu pimpolho enquanto eu escrevo, hoje sai o relato do meu parto!
Minha grande preocupação era não saber que eu estava em trabalho de parto, a bolsa estourar no meio do supermercado e eu dar a luz dentro de um táxi. Felizmente meu obstetra me deu uma apostila que descrevia todas as fases pelas quais eu passaria, o que eu sentiria, tempo e intervalos entre contrações, essas coisas.
Começou na sexta-feira. As primeiras contrações regulares, fraquinhas, porém regulares. Eu sabia que meu filho nasceria nos próximos 3 dias e isso me deu um certo conforto, afinal, eu já tinha passado das 40 semanas há tempos e estava quase batendo nas 42. Pra quem nunca teve filho, deve achar que 2 semanas não é nada, mas para uma grávida a gestação dura 8 meses e 1 ano, porque o último mês é uma eternidade. Pior ainda pra quem chega no 10° mês, como no meu caso.
No sábado eu comecei a perder o tampão. Ta aí outra coisa que eu nem sabia que existia, o tal do tampão. Como as contrações ainda estavam tranqüilas, eu nem me desesperei, pelo contrário, fui ao shopping com o meu marido e ligamos para um casal de amigos para almoçarmos todos juntos. Aquele seria nosso último almoço entre adultos, o que foi um ótimo argumento para convencê-los a se despencarem até nós.
Depois das 40 semanas, a monitoragem fetal se torna mais freqüente. A essa altura eu já via meu obstetra um dia sim e o outro não e fui ao hospital fazer a monitoragem no domingo de manhã. A obstetriz viu que as contrações estavam regulares, mas o Henrique ainda demoraria para nascer. Além disso, ele nem estava encaixado, a barriga não “desceu”, então ele não viria no domingo.
Meia-noite. Chega a segunda-feira. À meia-noite de domingo para segunda elas chegam, as temidas contrações mais fortes. Ainda não eram as piores, mas a gente não entende como pode ficar pior que aquilo na hora. O mundo parece que vai acabar durante 20 segundos, depois tudo volta ao normal. Eu não quis incomodar o obstetra àquela hora, seria muito clichê ele ser acordado com o telefone no meio da madrugada, então segui firme em casa mesmo, pois a santa apostila dizia que eu ainda teria um longo caminho pela frente. Chegou uma hora que não deu mais e essa hora pode ter sido 15 minutos depois de eu ter decidido não incomodar o obstetra, porque a noção de tempo muda muito quando o mundo parece que vai acabar, não é? Liguei pra obstetriz, que mandou eu ficar embaixo do chuveiro, com água morna caindo nas minhas costas, na barriga e isso realmente ajudou muito. Fiquei o máximo que pude, sempre ligando e passando informações sobre meu estado, freqüência e intensidade das contrações, até que às 3h da manhã ela mandou eu ir pro hospital.
Como o balanço do carro se torna insuportável pra uma mulher em trabalho de parto! Agora eu entendo porque nos filmes tantos bebês nascem dentro do carro, a impressão que dá é essa mesmo. Chegando ao hospital, fiz meu “check-in” e foram me examinar. Já estava com 3 cm de dilatação. Enquanto o anestesista não chegava, eu fui pro chuveiro, mas eu já estava de saco cheio de ficar no chuveiro, estava com fome, sede, sono, mas não podia comer, beber e não conseguia dormir. Até que ele chegou... O anestesista... Gente, ver o anestesista quando você está com contrações é melhor que encontrar o Brad Pitt nu na sua cama. Ele fez a sua mágica e meu mundo ficou cor de rosa!
Depois de tanto ficar no chuveiro, eu já estava bem limpa, né! Fique na monitoragem com a minha santa anestesia que fazia eu ver as contrações, mas não sentir nenhuma dorzinha. Meu obstetra acha importante a mulher não sentir dor durante muito tempo, senão ela fica muito cansada e acaba não conseguindo fazer força na hora do parto. Eu ainda não podia comer nem beber nada, mas consegui dormir, o que fez toda a diferença porque o rapazinho ainda não estava encaixado e ia demorar pra chegar.
Às 8h da manhã a dilatação estava completa e o Henrique ainda estava boiando na minha barriga. O obstetra estourou minha bolsa e começou a tentar fazê-lo encaixar. Aí vocês me perguntam: mas como? E eu explico: na mão mesmo. Quando a contração vinha eu fazia força e ele montava em cima da minha cabeça e empurrava a bunda do menino com os dois polegares pressionando a minha barriga. Mas não era uma pressãozinha, era o peso de um homem inteiro em cima de dois polegares, o que me fazia gritar de dor feito uma louca descompensada no hospital, parecia que eu já estava parindo. Aliás, não era só o obstetra, todo mundo montou na minha cabeça: o anestesista, a obstetriz e o outro obstetra que também me acompanhava.
Meio dia e nada do menino encaixar. O obstetra disse que já estavam tentando há muito tempo e que ele não tinha descido nem um pouquinho, então que talvez eu devesse considerar fazer uma cesárea. Eu queria muito um parto normal, mas se só encaixar o menino já doía tanto, imagina na hora de nascer! Amarelei e disse que eu sabia que ele não me empurraria uma cesárea à toa e que se ele achava que eu precisava de uma, que deveríamos fazer na mesma hora.
Ele foi trocar de roupa e eu fui pra sala de cirurgia. Só que entrando na sala, eu entrei em pânico: “Meu Deus, vão cortar meu útero!” Comecei a falar um monte de asneiras do tipo: “Enfermeira, pelo amor de Deus não esqueçam nada dentro de mim!” Eu fui preparada para um parto normal e vendo o meu nervosismo a obstetriz decidiu tentar mais uma vez encaixar o bebê, chamou o outro obstetra, o anestesista e montaram de novo na minha cabeça, mas dessa vez...
Dessa vez nada, o menino não encaixou, mas pelo menos deu uma descidinha. Avisaram o obstetra, que quando viu que ele havia descido um pouquinho, retomou a maratona do encaixe manual. Após 20 minutos de tentativas, ele encaixou! Nesse momento eu pensei: “Se demorou e doeu tanto pra fazer o bebê encaixar, imagina pra fazer nascer. Só vou sair daqui à noite!”
Já que estava na chuva, era pra me molhar, então quando veio a contração eu fiz aquela força caprichada e o obstetra me diz: “Não faça tanta força, faça meia-força.” Mas que diabos é meia-força? Acho que minha força foi tão forte, que na primeira já senti a cabeça do bebê saindo. Na segunda contração eu fiz uma força menos forte, mas senti que saiu mais um pouquinho, aí caprichei e o menino... Escorregou!
Mulherada do meu Brasil baronil, o menino saiu tão rápido e numa facilidade que eu tive que olhar pra baixo pra acreditar que tinha saído inteiro mesmo. Foram só 2 forcinhas e já tinha acabado! Minhas primeiras palavras foram: “É só isso?” Acho que fiquei tão chocada e decepcionada com a falta de complexidade do processo que nem consegui lembrar de me emocionar.
Meu marido e meu pai acompanharam o parto, meu marido ficou com os olhos mareados e meu pai estava que nem pinto no lixo. Era foto pra todo lado, enquanto do lado de fora minha sogra e minhas cunhadas acompanhavam a pesagem, banho, etc. através de um vidro. Foi engraçado ouvir minha cunhada descrevendo a minha cara depois que o bebê nasceu, porque a primeira coisa que eu fiz foi levantar o lençol pra olhar minha barriga e eu fiz uma cara de espanto porque ela tinha sumido instantaneamente.
Quando eu me situei e comecei a fazer o que já devia estar fazendo desde o início, que era babar em cima do meu filho, senti um movimento estranho e vi o obstetra fuçando lá embaixo. Perguntei imediatamente o que ele estava fazendo e ele respondeu que estava tirando a placenta. Ta aí outra coisa que ninguém fala nem descreve, a retirada da placenta, acho que é porque todo mundo faz cesárea e nem sente quando isso acontece. A sensação é que estão puxando uma corda dentro de você e no final dela tem um balão amarrado. Pronto, agora vocês sabem como é parir uma placenta.
Assim que o Henrique nasceu, depois de ser pesado, medido e de terem sido feitos os primeiros testes, o novo papai deu o primeiro banho, dentro da sala de cirurgia mesmo, com a platéia acompanhando pela janela. Acabado o banho, que nem é pra limpar, é só pra relaxar mesmo, ele foi direto pro peito e mamou feito um louco, devia estar com a mesma fome da mãe.
Eu saí da maca sozinha, o bebê nasceu às 12h29 e às 16h eu já estava tomando banho sozinha. Saí da maternidade querendo mais 2!
Tá aí o resultado da minha aventura:

PS: É impossível fazer um relato de parto curto. Afinal, como resumir 36 horas com tantos detalhes emocionantes em poucos parágrafos?