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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Um outro relato de parto

Inspirada no relato da Nanda e no fato de agora ter uma babá que tome conta do meu pimpolho enquanto eu escrevo, hoje sai o relato do meu parto!

Minha grande preocupação era não saber que eu estava em trabalho de parto, a bolsa estourar no meio do supermercado e eu dar a luz dentro de um táxi. Felizmente meu obstetra me deu uma apostila que descrevia todas as fases pelas quais eu passaria, o que eu sentiria, tempo e intervalos entre contrações, essas coisas.

Começou na sexta-feira. As primeiras contrações regulares, fraquinhas, porém regulares. Eu sabia que meu filho nasceria nos próximos 3 dias e isso me deu um certo conforto, afinal, eu já tinha passado das 40 semanas há tempos e estava quase batendo nas 42. Pra quem nunca teve filho, deve achar que 2 semanas não é nada, mas para uma grávida a gestação dura 8 meses e 1 ano, porque o último mês é uma eternidade. Pior ainda pra quem chega no 10° mês, como no meu caso.

No sábado eu comecei a perder o tampão. Ta aí outra coisa que eu nem sabia que existia, o tal do tampão. Como as contrações ainda estavam tranqüilas, eu nem me desesperei, pelo contrário, fui ao shopping com o meu marido e ligamos para um casal de amigos para almoçarmos todos juntos. Aquele seria nosso último almoço entre adultos, o que foi um ótimo argumento para convencê-los a se despencarem até nós.

Depois das 40 semanas, a monitoragem fetal se torna mais freqüente. A essa altura eu já via meu obstetra um dia sim e o outro não e fui ao hospital fazer a monitoragem no domingo de manhã. A obstetriz viu que as contrações estavam regulares, mas o Henrique ainda demoraria para nascer. Além disso, ele nem estava encaixado, a barriga não “desceu”, então ele não viria no domingo.

Meia-noite. Chega a segunda-feira. À meia-noite de domingo para segunda elas chegam, as temidas contrações mais fortes. Ainda não eram as piores, mas a gente não entende como pode ficar pior que aquilo na hora. O mundo parece que vai acabar durante 20 segundos, depois tudo volta ao normal. Eu não quis incomodar o obstetra àquela hora, seria muito clichê ele ser acordado com o telefone no meio da madrugada, então segui firme em casa mesmo, pois a santa apostila dizia que eu ainda teria um longo caminho pela frente. Chegou uma hora que não deu mais e essa hora pode ter sido 15 minutos depois de eu ter decidido não incomodar o obstetra, porque a noção de tempo muda muito quando o mundo parece que vai acabar, não é? Liguei pra obstetriz, que mandou eu ficar embaixo do chuveiro, com água morna caindo nas minhas costas, na barriga e isso realmente ajudou muito. Fiquei o máximo que pude, sempre ligando e passando informações sobre meu estado, freqüência e intensidade das contrações, até que às 3h da manhã ela mandou eu ir pro hospital.

Como o balanço do carro se torna insuportável pra uma mulher em trabalho de parto! Agora eu entendo porque nos filmes tantos bebês nascem dentro do carro, a impressão que dá é essa mesmo. Chegando ao hospital, fiz meu “check-in” e foram me examinar. Já estava com 3 cm de dilatação. Enquanto o anestesista não chegava, eu fui pro chuveiro, mas eu já estava de saco cheio de ficar no chuveiro, estava com fome, sede, sono, mas não podia comer, beber e não conseguia dormir. Até que ele chegou... O anestesista... Gente, ver o anestesista quando você está com contrações é melhor que encontrar o Brad Pitt nu na sua cama. Ele fez a sua mágica e meu mundo ficou cor de rosa!

Depois de tanto ficar no chuveiro, eu já estava bem limpa, né! Fique na monitoragem com a minha santa anestesia que fazia eu ver as contrações, mas não sentir nenhuma dorzinha. Meu obstetra acha importante a mulher não sentir dor durante muito tempo, senão ela fica muito cansada e acaba não conseguindo fazer força na hora do parto. Eu ainda não podia comer nem beber nada, mas consegui dormir, o que fez toda a diferença porque o rapazinho ainda não estava encaixado e ia demorar pra chegar.

Às 8h da manhã a dilatação estava completa e o Henrique ainda estava boiando na minha barriga. O obstetra estourou minha bolsa e começou a tentar fazê-lo encaixar. Aí vocês me perguntam: mas como? E eu explico: na mão mesmo. Quando a contração vinha eu fazia força e ele montava em cima da minha cabeça e empurrava a bunda do menino com os dois polegares pressionando a minha barriga. Mas não era uma pressãozinha, era o peso de um homem inteiro em cima de dois polegares, o que me fazia gritar de dor feito uma louca descompensada no hospital, parecia que eu já estava parindo. Aliás, não era só o obstetra, todo mundo montou na minha cabeça: o anestesista, a obstetriz e o outro obstetra que também me acompanhava.

Meio dia e nada do menino encaixar. O obstetra disse que já estavam tentando há muito tempo e que ele não tinha descido nem um pouquinho, então que talvez eu devesse considerar fazer uma cesárea. Eu queria muito um parto normal, mas se só encaixar o menino já doía tanto, imagina na hora de nascer! Amarelei e disse que eu sabia que ele não me empurraria uma cesárea à toa e que se ele achava que eu precisava de uma, que deveríamos fazer na mesma hora.

Ele foi trocar de roupa e eu fui pra sala de cirurgia. Só que entrando na sala, eu entrei em pânico: “Meu Deus, vão cortar meu útero!” Comecei a falar um monte de asneiras do tipo: “Enfermeira, pelo amor de Deus não esqueçam nada dentro de mim!” Eu fui preparada para um parto normal e vendo o meu nervosismo a obstetriz decidiu tentar mais uma vez encaixar o bebê, chamou o outro obstetra, o anestesista e montaram de novo na minha cabeça, mas dessa vez...

Dessa vez nada, o menino não encaixou, mas pelo menos deu uma descidinha. Avisaram o obstetra, que quando viu que ele havia descido um pouquinho, retomou a maratona do encaixe manual. Após 20 minutos de tentativas, ele encaixou! Nesse momento eu pensei: “Se demorou e doeu tanto pra fazer o bebê encaixar, imagina pra fazer nascer. Só vou sair daqui à noite!”

Já que estava na chuva, era pra me molhar, então quando veio a contração eu fiz aquela força caprichada e o obstetra me diz: “Não faça tanta força, faça meia-força.” Mas que diabos é meia-força? Acho que minha força foi tão forte, que na primeira já senti a cabeça do bebê saindo. Na segunda contração eu fiz uma força menos forte, mas senti que saiu mais um pouquinho, aí caprichei e o menino... Escorregou!

Mulherada do meu Brasil baronil, o menino saiu tão rápido e numa facilidade que eu tive que olhar pra baixo pra acreditar que tinha saído inteiro mesmo. Foram só 2 forcinhas e já tinha acabado! Minhas primeiras palavras foram: “É só isso?” Acho que fiquei tão chocada e decepcionada com a falta de complexidade do processo que nem consegui lembrar de me emocionar.

Meu marido e meu pai acompanharam o parto, meu marido ficou com os olhos mareados e meu pai estava que nem pinto no lixo. Era foto pra todo lado, enquanto do lado de fora minha sogra e minhas cunhadas acompanhavam a pesagem, banho, etc. através de um vidro. Foi engraçado ouvir minha cunhada descrevendo a minha cara depois que o bebê nasceu, porque a primeira coisa que eu fiz foi levantar o lençol pra olhar minha barriga e eu fiz uma cara de espanto porque ela tinha sumido instantaneamente.

Quando eu me situei e comecei a fazer o que já devia estar fazendo desde o início, que era babar em cima do meu filho, senti um movimento estranho e vi o obstetra fuçando lá embaixo. Perguntei imediatamente o que ele estava fazendo e ele respondeu que estava tirando a placenta. Ta aí outra coisa que ninguém fala nem descreve, a retirada da placenta, acho que é porque todo mundo faz cesárea e nem sente quando isso acontece. A sensação é que estão puxando uma corda dentro de você e no final dela tem um balão amarrado. Pronto, agora vocês sabem como é parir uma placenta.

Assim que o Henrique nasceu, depois de ser pesado, medido e de terem sido feitos os primeiros testes, o novo papai deu o primeiro banho, dentro da sala de cirurgia mesmo, com a platéia acompanhando pela janela. Acabado o banho, que nem é pra limpar, é só pra relaxar mesmo, ele foi direto pro peito e mamou feito um louco, devia estar com a mesma fome da mãe.

Eu saí da maca sozinha, o bebê nasceu às 12h29 e às 16h eu já estava tomando banho sozinha. Saí da maternidade querendo mais 2!

Tá aí o resultado da minha aventura:




PS: É impossível fazer um relato de parto curto. Afinal, como resumir 36 horas com tantos detalhes emocionantes em poucos parágrafos?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O Retorno!

Depois de passar pela loucura das últimas semanas de gravidez junto com a obra do apartamento novo, mudança, hóspedes em casa, parto e os dois primeiros meses debutando no papel de mãe, volto aqui e me deparo com uma grávida prestes a dar a luz, uma nova grávida, uma bronca e uma parto-normal-fóbica! Hahahahha

 

É muita coisa pra digerir, mas vou fazer esse re-début bem simples e reservar o relato do meu parto para um próximo post. É uma volta daqueles que não foram, porque na verdade eu nem deveria mais andar por aqui, né?

 

Primeiro quero parabenizar a família Pimenta e a Nanda e já de cara vou dizendo pra ela parar de assistir Discovery Home and Health porque parto normal desse jeito maluco que ela descreveu só acontece lá mesmo!

 

Nanda, como você mesma disse, tem a peridural aí pra nos aliviar, pra mim foi excelente, nada de dor e recuperação hiper rápida. Não precisei de episiotomia (aquele cortezinho), mas mesmo que precisasse, a cicatrização em mucosa é mais rápida do que na pele. Poucas horas depois de parir eu já estava tomando banho sozinha e essa recuperação instantânea foi uma mão na roda já na maternidade, já que o esfomeado do meu filho mamava de hora em hora e eu é que precisava ir até o berçário para amamentar porque ele precisou tomar banho de luz.

 

Pra mim é engraçado alguém ter medo de parto normal porque eu morro de medo é da tal da cesárea. A idéia de uma cirurgia, de alguém abrindo meu útero, é apavorante para mim. E se eu quiser ter 3 filhos? E se eu engravidar sem querer no ano seguinte à cesárea com aquele útero costurado? Me dá arrepios só em pensar. Aliás, meu parto só foi normal graças ao meu pânico de cesárea, já que o médico tava quase desistindo porque o bebê não estava encaixado. Mas os detalhes, como eu disse, eu vou deixar pra um próximo post.

 

Enfim, venha através de parto normal ou de cesárea, filho é bom demais! Nunca ouvi uma mãe que teve parto normal se arrepender, assim como nunca vi uma que teve cesárea se arrepender também. O importante é o que vem depois e eu saí do meu parto normal com mil tabus derrubados e querendo pelo menos mais dois filhos!

 

Beijos da mamãe do Henrique!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A Indústria da Gravidez

Quando eu me casei, fiquei impressionada com as altas cifras que giram em torno da indústria do matrimônio. Como era possível se gastar tanto dinheiro para realizar um sonho de um dia só? Agora na gravidez a história se repete, o que me levou a concluir casar não é caro, ter filhos não é caro, viver é que é caro!

É caro ser solteiro e bancar as saídas noturnas, as roupas bonitas, os drinks na balada. É caro namorar e dar presentes, ser romântico e surpreender o parceiro. É caro casar e montar um novo lar, dar uma pequena ou uma grande festa, viajar em lua-de-mel. É caro engravidar e pagar o plano de saúde e as coisas que ele não cobre, se entupir de vitaminas, comprar roupas que te sirvam e que você só vai usar durante um mês. É caro ter filhos e montar enxoval, comprar berço e todas as quinquilharias que se tornaram indispensáveis de uns anos pra cá.

Você PRECISA ter! Você precisa ter uma cadeirinha para carro segura, um bebê conforto, carrinho, babá eletrônica, aquecedor e esterilizador de mamadeira, 594 tipos diferentes de chupeta, kit de higiene, garrafa térmica, termômetro para banho, aspirador nasal, bolsa de água quente, pinça plástica para manusear os itens esterilizados, poltrona para amamentação, almofada para amamentação, umidificador, trocador, protetor de cabeça para bebê conforto (?), protetor de carrinho, kit berço, travesseiros anti-sufocantes, colchão anti-refluxo, mamadeira para suco, mamadeira para chá, mamadeira para água, mamadeira para leite, mamadeira mix-on-the-go, sling, móbile musical, cadeira para alimentação, sem contar os babadores, cueiros, vira manta, fraldas de boca, fraldas de ombro, fraldas de bunda e sei lá mais o que.

Eu me pego pensando em como as nossas tataravós conseguiam se livrar do catarro dos bebês sem o bendito aspirador nasal. Será que os bebês morriam asfixiados com os narizes entupidos ou os bebês de antigamente simplesmente não tinham catarro? Outro mistério são as normas que estabelecem a distância ideal entre as grades do berço para evitar que os bebês prendam as cabeças entre elas. Não seria esse um processo de seleção natural? As mães conseguem distinguir os bebês tontos dos espertos observando que os tontos enfiam as cabeças entre as grades enquanto os espertos não caem nessa cilada. Na dúvida, comprei um berço sem grade e com tela, simplesmente para não correr o risco de descobrir que meu bebê é tonto. E os bebês das cavernas? Sem a invenção da tesoura, suas mãe roíam suas unhas para não se arranharem? E como aqueciam a água do banho: na fogueira ou usavam os gêiseres?

Comprei o tal do travesseiro anti-sufocante e me senti vítima de uma fraude: não teria o mesmo efeito dobrar uma toalha ou usar uma almofadinha, considerando que o kit berço vem com tantas? Outra exploração comercial é o kit cama de babá. Eu que nem babá vou ter já comprei o meu! Dava pra ter comprado um belíssimo jogo de lençol de algodão egípcio para a minha cama, mas preferi adornar a cama da minha babá imaginária com uma colcha que combine com o lençol do bebê.

Estou no último mês de gestação e envergonhadíssima por sequer ter organizado um chá-de-bebê, muito menos ter decidido o enfeite de porta de maternidade ou as lembrancinhas. Ainda estamos comemorando a conclusão da mala do bebê para a maternidade, que já deveria estar pronta desde o sétimo mês, mas eu perdi 1 mês tentando descobrir qual era o sabão certo para lavar as roupas do rebento. Se eu não me engano, minha avó materna usava cinzas pra fazer sabão, ou banha de alguma coisa, não me lembro direito. Se ela estivesse viva, ia enlouquecer se fosse ao supermercado comigo escolher o tal sabão. Vocês sabiam que o fato de ter um bebê na embalagem não é garantia de que o sabão é indicado para lavar roupa de bebê? Quando descobri isso me senti totalmente enganada pelos mecanismos maquiavélicos do marketing, que me fizeram pegar direto a embalagem mais óbvia: aquela com o bebê sorridente com apenas dois dentes na frente.

Eu me lembro da minha primeira visita à Cobasi, assim que ganhei meu cachorro. Comprei cama com teto, cama sem teto, cama com zíper, tapete de pele de ovelha, edredom, mil roupinhas, sapatinho para passeio... pergunta onde o infeliz do cachorro fica o dia todo? Ou na MINHA cama ou no sofá, já que as 4 camas e diversos tapetes dele só servem pra o safado fazer xixi!

Afinal, viver é caro mesmo ou é a gente que torna a vida assim: um mar de inutilidades indispensáveis para suprir algo que nem nós sabemos o que é? O menino nem nasceu e já está cheio de coisas que eu não faço idéia para que servem. Só me resta imaginar como será o futuro, considerando que já na barriga ele é atacado pelo consumo de coisas de utilidade questionável por todos os lados. Vou ver se acho uma opinião formada sobre isso para comprar no Submarino...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

É normal querer ser normal?

Sou contra a banalização da cesárea.

Isso resume bem minha opinião a respeito do assunto. Obviamente não sou uma hippie louca que acha que todo mundo tem que parir em casa ou que quem faz cesárea é menos mãe por causa disso. Apenas acredito que a cesárea deve ser tratada pelo que é, uma intervenção cirúrgica, e que deve ser usada com critério.

Provavelmente vai aparecer um monte de gente aqui comentando que fez cesárea, justificando e defendendo sua escolha. De certa maneira, fica parecendo que a pessoa sabe que essa não é a opção natural e se sente um pouco culpada por ter feito uma, senão não sentiria necessidade de justificar. Digo isso porque esse assunto surgiu em uma lista de discussão de esposas da qual participo e ao defender o parto normal recebi uma enxurrada de e-mails ofendidíssimos de mães contando suas histórias cheias de sofrimento que as levaram a optar por um parto cesárea, o quanto ficaram satisfeitas com o resultado, que seus bebês corriam riscos, que elas não eram piores por causa disso, etc, etc, etc. O engraçado é que não eram casos onde a mãe marcou a data porque queria que o neném nascesse com tal signo ou no dia do santo não sei das quantas, ou no final de semana, eram casos legítimos, onde a cesárea se fez necessária mesmo, mesmo quando era uma cesárea eletiva (com data e hora marcada).

Eu adoro a Medicina por possibilitar a reprodução assistida, o aumento no índice de prematuros que sobrevivem, o diagnóstico precoce de má formações e também a cesárea. Graças a ela, mães portadoras do vírus HIV são capazes de ter filhos sem o vírus, mulheres com placenta prévia correm menos riscos, gestações múltiplas podem ter partos em datas diferentes e por aí vai. Mesmo o parto normal evoluiu com suas anestesias e a episiotomia como forma de evitar os temidos problemas no períneo que eram ocasionados pelo parto normal.

Eu mesma talvez precise de uma cesárea, mas sei que se precisar não será por conveniência do médico nem pela minha conveniência. Depois de passar por muitos consultórios e ouvir muitos sermões sobre a maravilha que é a cesárea, finalmente encontrei um médico que, assim como eu, acha que a última preocupação da mãe no dia do parto deveria ser ir ao salão fazer as unhas. Conheço quem tenha feito isso e são pessoas ótimas, mas não é algo que eu entenda. Também não entendo quem tem uma gestação normal, com um bebê saudável e marca uma data para o coitadinho nascer. Sei que vou ser apedrejada por dizer uma coisa dessas e que sempre que disser isso alguém vai vir com uma história: no meu caso eu TIVE que fazer isso porque blábláblá... Tudo bem, cada caso é um caso, mas eu ainda não entendo. Se o bebê tá bem lá dentro, por que não esperar o tempo dele? Pode ser com 38, 40 ou até 42 semanas, por que não? Eu nasci com 41 semanas e, se soubesse que aqui fora era assim, tinha ficado mais!

Sei que gravidez é um tédio de vez em quando e que o último mês é pior ainda, parece que não acaba nunca! Sei que bate uma ansiedade pra ver a carinha do rebento ou até um saco cheio por conta das transformações do corpo, mas pense que você vai olhar aquela carinha o resto da vida e quando ele chegar em casa depois do primeiro porre, vai sentir saudades de quando ele estava quietinho lá na barriga...

Existem mil motivos para ter um parto normal e mais mil para optar por uma cesárea. Também existem mil motivos pra tomar Coca-Cola e mais mil pra não tomar. A questão é basear sua escolha primeiramente no bem estar do bebê, depois no da mãe e por último no dos outros (sogra, médico, etc.). Vivemos uma era de inversão de valores, onde é preciso criar atrativos para estimular a mulher a amamentar. Depois que disseram que amamentar emagrece, o aleitamento materno voltou à “moda”, mas passamos por uma geração que precisou de campanhas de incentivo à amamentação, simplesmente porque as mães não queriam peitos caídos! O mesmo acontece com o parto normal, é preciso “vender” os benefícios dele, propagandear que a recuperação é mais rápida e menos dolorosa, sendo que o parto normal deveria ser a primeira opção de toda mãe simplesmente porque, a priori, é a melhor opção para o bebê!

Que fique o exemplo da lindíssima Fernanda Lima: mulher, primeira gravidez depois dos 30, GÊMEOS, parto normal. Amiga, se ela pode, todas nós podemos!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Campanha Incentivo ao Parto Normal

Vou colocar aqui um texto do Ministério da Saúde para reflexão de todas. O tema não deveria ser, mas acaba sendo polêmico. Leiam, pensem a respeito e depois dou minha opinião.

Campanha Incentivo ao Parto Normal


O Ministério da Saúde lançou a Campanha Incentivo ao Parto Normal. A cesariana já representa 43% dos partos realizados no Brasil no setor público e no privado. Nos planos de saúde, esse percentual é ainda maior, chegando a 80%. Já no Sistema Único de Saúde, as cesáreas somam 26% do total de partos. O parto normal é o mais seguro tanto para a mãe quanto para o bebê. De acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde, as cirurgias deveriam corresponder a, no máximo, 15% dos partos.

Por ser uma cirurgia, a cesariana somente é indicada para os casos que tragam risco para a mãe ou o seu bebê. Quando realizada sem que exista uma indicação médica precisa, aumentam os riscos de complicações e de morte para a mulher e para o recém-nascido.

Não é raro que as cesarianas sejam agendadas antes de a mulher entrar em trabalho de parto. Estudos demonstram que fetos nascidos entre 36 e 38 semanas, antes do período normal de gestação (40 semanas), têm 120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios agudos e, em conseqüência, acabam precisando de internação em unidades de cuidados intermediários ou mesmo UTI Neonatal. Além disso, no parto cirúrgico há uma separação abrupta e precoce entre mãe e filho, num momento primordial para o estabelecimento de vínculo.

Finalmente, as chances de a mulher sofrer uma hemorragia ou infecção no pós-parto também são maiores em caso de cesárea, existindo ainda um risco aumentado de ocorrer problemas em futuras gestações, como a ruptura do útero e o mau posicionamento da placenta.


Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=28513

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Anti-grávida

Eu mal comecei a escrever essa coluna e já consegui criar uma polêmica aqui em casa. Antes de mandar o primeiro texto, consultei a opinião do meu marido e ele adorou. Já no segundo texto, o coitado ficou de cabelo em pé, horrorizado com o que eu escrevi, como se eu estivesse odiando estar grávida.

Como estou recebendo comentários de mulheres que ainda não engravidaram e não é minha intenção desencorajá-las, resolvi deixar de lado meu estilo de escrever por um momento a fim de esclarecer o meu ponto de vista.

Acho que muito do que se fala em torno da gravidez é romanceado ou hipócrita mesmo. O período da gestação é bem chato na maior parte do tempo, mas como algo que dura quase um ano da sua vida e do qual você não pode se afastar nenhum segundo pode ser 100% interessante? Conheço pessoas apaixonadas pelo trabalho, mas todas têm aquele dia em que dá vontade estrangular o chefe, ou fingir que está doente pra passar o dia na cama, ou olham o sol lindo pela janela e desejam estar na praia e não no escritório...

Quando você está grávida, está grávida e pronto. São 24 horas do seu dia durante 40 das 48 semanas do ano. Não dá pra tirar a barriga pra enxugar o pé ou pra dormir melhor à noite, não dá pra comer uma feijoada sem sofrer as conseqüências dos puns que ela vai te fazer soltar e que você não vai conseguir controlar! No começo da gestação não tem barriga, muita gente sofre com os enjôos (eu sofri), você não sente o neném mexer e ainda existe aquela tensão constante relacionada a um possível aborto espontâneo. Isso tudo é super difícil e muito real, mas ao mesmo tempo ninguém fala sobre essas coisas. O mundo te obriga a se sentir incrível e iluminada e ai de quem achar qualquer aspecto da gravidez ruim, pois está fadada a ser uma mãe terrível, um monstro de barriga!

Essa coluna não é anti-gravidez, pelo contrário, ela não poderia ser mais pró-grávida do que é! Aqui ninguém vai te enganar dizendo que a pele fica mais bonita, que as criancinhas “sentem” que você está grávida e correm para o seu colo, que o seu sexto sentido fica mais aguçado e que é normal sentir desejo de comer tijolo com sorvete. Talvez se alguém tivesse me dito antes de eu engravidar algumas verdades sobre a gestação, a experiência em si não tivesse sido tão frustrante às vezes...

Estar grávida é sim muito mágico e cada mulher vai sentir essa magia à sua maneira. Eu planejava comer de acordo com o cardápio da nutricionista, fazer hidroginástica 3x por semana, ser mais paciente, ouvir mais música clássica para estimular o bebê, conversar com o umbigo e abraçar esse emprego full-time com a maior graciosidade do mundo. Eu cheguei a me consultar com a nutricionista, que me passou um cardápio que nunca coloquei em prática nem no restaurante self-service, fiz um mês de aula de hidroginástica, continuo ouvindo a rádio de notícias no carro e uso salto alto escondido para não levar bronca do marido. Não fazia parte desses planos escrever uma coluna sobre medos, inseguranças, frustrações e puns, eu juro!

Esses dias eu fui ao shopping comprar uma camisola sexy para usar com o maridão e a desgraçada da vendedora só me vinha com roupa de hospital, sutiã de amamentação e calcinha segura-barriga. Pra mim ISSO é ser anti-grávida!

Atitude anti-grávida é querer fazer a mulher se sentir culpada por ter vontade de dançar, se sentir ridícula por querer ser sexy, se sentir bonita com o rosto cheio de espinhas que ela não teve nem durante a adolescência, se sentir na obrigação de perder 20 kg em um mês depois do parto, se sentir preguiçosa por ter sono, se sentir insegura por não ter o mesmo apetite sexual, se sentir excluída porque não pode tomar uma cerveja no Happy Hour, se sentir desleixada por não conseguir aparar os pêlos do púbis sozinha, se sentir menos mãe por querer ser somente ela mesma de vez em quando...

Se você está ou pretende ficar grávida, não entre no time das anti-grávidas! Seja de carne e osso, ame e odeie essa experiência, viva os prós e os contras intensamente, pois durante 40 semanas ninguém mais vai poder fazê-lo por você...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Minha vida acabou... de começar!

Sempre quis ter filhos. Sonhava com uma família grande, de 8 filhos: 7 meninos e 1 menina. Quando é sonho é sempre gostoso... No sonho você mora naquela casa enooorme, com uma mesa retangular de madeira no quintal onde cabe sua pequena família de 10 pessoas inteirinha para o almoço de domingo. No sonho é sempre domingo, as crianças já são grandinhas, todas lindas, comendo comportadas, todo mundo sorrindo, o próprio comercial da margarina!

Quando a confirmação da gravidez acontece, o peso da realidade recai sobre os nossos ombros e a gente começa a ver o mundo com outros olhos. Antes você via aquela criança jogada no chão do shopping, chorando por uma casquinha do Mc Donald’s e olhava feio pra mãe. Sua prima engravidava e você vinha cheia de teorias e dicas que leu na Internet. Você fazia parte da turma que falava que gravidez não é doença e que andar 3 passos e dizer que está cansada é frescura de grávida. Você achava que aqueles desejos malucos durante a gravidez eram coisa de mulher mal amada para chamar a atenção do marido e criticava a amiga da amiga que ganhou 30 kg na gestação: “quem mandou não se cuidar?”.

É, amiga... agora você assiste o programa da Supernanny e reza pra não criar um monstrinho daqueles... Você é obrigada a ouvir a amiga que nem filho tem te dando mil conselhos e passando sermão sobre como ser uma mãe moderna. Você quer andar mais rápido no supermercado pra acompanhar o marido (que ainda acha que gravidez não é doença), mas não consegue. Você senta na frente da caixa de bombons e só sai quando leva um choque na boca e percebe que está comendo o papel alumínio. Você adora a hora do ultra-som, mas detesta subir na balança quando vai ao obstetra...

Não pode mais beber, não pode fumar, não pode pegar peso, não pode ficar sem comer, não pode comer demais, não pode passar raiva, não pode ficar triste, não pode sushi, não pode carne mal passada, não pode café, não pode coca cola, não pode remédio pra gripe, não pode raio-x, não pode nem chá verde (e olha que eu sempre achei que chá verde era uma coisa super natureba)!

O que pode, afinal? Pode fazer amor de ladinho e com cuidado, diz o médico. Que legal...

Você adorava ir a festas, tomar Prosecco e dançar até se acabar! Suas amigas saem, viajam, curtem a vida e... nem se lembram que você existe. Você torce para que elas engravidem logo para se unirem a você nesse monastério glamurizado que é a gestação.

Sua vida não te pertence mais, você já não sabe onde foi parar você mesma, pois todos só enxergam a futura mamãe no lugar daquela mulher bonita, inteligente, divertida e interessante. E você? Você não enxerga nem seu pé, minha filha!

Mesmo assim, por alguma razão que eu ainda desconheço, quando você vê aquele pezinho no ultra-som... Ai, ai... Tudo isso vale a pena!

sábado, 19 de abril de 2008

O teste de gravidez

Gravidez por si só já é uma experiência complicada quando planejada. Quando te pega de surpresa então... Dizem que menos de 10% dos casais efetivamente planejam uma gravidez. Como eu não gosto de ser “a fresca”, me enquadro na maioria, que achou que era só a TPM quando acordou com os peitos enormes e doloridos, a menstruação atrasada, chorando ao assistir o comercial do menininho que vai ganhar uma irmãzinha e tem medo de pintarem o quarto dele de cor-de-rosa.

Para os casais “tentantes” é normal ter alguns testes de farmácia na gaveta, é normal saber o dia da ovulação, essas coisas de gente planejada. Como a única coisa que eu estava tentando era perder os 2 kg que toda mulher precisa perder, nunca me passou pela mente descobrir meu período fértil, que dirá incluir um teste de gravidez na caixinha de primeiros socorros. Não sei qual a pior parte: ver o resultado do exame ou criar coragem para ir até a farmácia comprar o exame. Quando você chega ao estágio de comprar o teste é porque a suspeita é séria mesmo.
O atendente da farmácia nunca ajuda, só atrapalha. Quando você pede o teste de gravidez, ele sempre apresenta 97 opções diferentes e pergunta qual é a da sua preferência. Como se teste de gravidez fosse sabão em pó, você já sai de casa sabendo qual comprar. Meu critério foi comprar a marca mais cara e com a caixa mais bonita. Se é mais caro a gente imagina que é melhor, mais preciso, certo? Nesse caso, a marca ainda oferecia dois tipos de teste. A diferença? Nem o atendente da farmácia sabia, devia ser algo como Naldecon Dia e Naldecon Noite ou Tampax com aplicador e Tampax sem aplicador, no final das contas é tudo a mesma coisa. Peguei o mais bonitinho e fui-me embora com a sacolinha.

No carro é aquele papo chato até chegar em casa. O marido diz: não deve ser nada... Você responde: se eu estivesse grávida eu saberia... Mesmo assim os dois pamonhas estão ali, com o saquinho na mão, desesperados pra chegar logo em casa e fazer o bendito teste.
Quando finalmente chegam, a mulher não quer parecer desesperada e finge que está realmente apertada e que precisa ir ao banheiro. Não importa se você acabou de atravessar o deserto do Saara correndo e sem beber água: o xixi sempre aparece na frente do palitinho. O pai em potencial fica sem saber o que fazer nesses longos minutos entre o xixi no palito e o resultado do teste. Ele não pode (e nem deve) ficar assistindo a saga da mulher para acertar aquela pontinha minúscula sem molhar a mão ou o visor do resultado.

Ok, acabou. Você já acertou a mira, até deu aquela espirradinha na mão, mas nada que água e sabão não resolvam. Prepare-se: acaba de começar a contagem regressiva para os três minutos mais longos da sua vida. Tem gente que larga o negócio e só vai ver o resultado depois de passado o tempo. Outras pessoas ficam olhando fixamente o visor durante cada minuto, como se a força do pensamento fosse capaz de alterar o resultado. No meu caso foi desesperador, pois passados os 3 minutos o diagnóstico foi “meio-grávida”(!?).

Quem já fez esses testes de farmácia deve se lembrar que um risquinho indica não-grávida enquanto 2 risquinhos significam que você vai colaborar para a perpetuação da espécie. Comigo foi um risquinho forte, decidido e um risquinho encabulado, fraquinho... Ainda havia esperança para mim! Um dos risquinhos não tinha muita certeza do meu resultado e eu poderia aprender com o susto, me cuidar melhor dali em diante e iniciar minha linhagem dentro de dois anos, conforme o planejado. Para fazer a auditoria do meu resultado potencialmente negativo, tirei uma foto do teste com o celular e mandei para a minha cunhada avaliar. Essa sim era uma mãe ideal, que planejou a gravidez e já tinha feito vários testes. Não é que ela disse que aquilo era positivo? Não é possível! Eu ia ter que fazer o exame de sangue para provar que era negativo...

Às 6h da manhã em pleno domingo eu e o maridão estávamos na porta do laboratório. Quando o laboratório abriu parecia o estouro da boiada, os dois saíram em disparada sala adentro procurando o guichê mais próximo. Colhido o sangue agora tínhamos que esperar TRÊS DIAS pelo o resultado. Desumano fazer isso com um casal a beira de um colapso como nós... Por pura teimosia chegamos em casa e fomos direto pro computador. Coisa boa dos tempos modernos é essa facilidade em acessar o resultado dos exames via Internet.

Depois de quase 8 horas prostrada em frente ao computador, digitando e redigitando aquele número de protocolo, saiu o resultado! É bem inteligente o jeito que eles mostram o resultado, não é POSITIVO ou NEGATIVO, é um monte de números sem sentido e você tem que interpretar o resultado de acordo com uma tabela que vem embaixo. É inteligente porque não mata o casal de susto de supetão, vai matando aos poucos, enquanto os dois tentam desvendar que raio de resultado é aquele.A gente viu, reviu e ainda assim não acreditou. Precisamos consultar mais 6 pessoas, inclusive um médico, para ter certeza de que o resultado era aquele mesmo. Não tinha jeito... nossa linhagem ia começar ali mesmo...
 

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