quinta-feira, 15 de maio de 2008

É normal querer ser normal?

Sou contra a banalização da cesárea.

Isso resume bem minha opinião a respeito do assunto. Obviamente não sou uma hippie louca que acha que todo mundo tem que parir em casa ou que quem faz cesárea é menos mãe por causa disso. Apenas acredito que a cesárea deve ser tratada pelo que é, uma intervenção cirúrgica, e que deve ser usada com critério.

Provavelmente vai aparecer um monte de gente aqui comentando que fez cesárea, justificando e defendendo sua escolha. De certa maneira, fica parecendo que a pessoa sabe que essa não é a opção natural e se sente um pouco culpada por ter feito uma, senão não sentiria necessidade de justificar. Digo isso porque esse assunto surgiu em uma lista de discussão de esposas da qual participo e ao defender o parto normal recebi uma enxurrada de e-mails ofendidíssimos de mães contando suas histórias cheias de sofrimento que as levaram a optar por um parto cesárea, o quanto ficaram satisfeitas com o resultado, que seus bebês corriam riscos, que elas não eram piores por causa disso, etc, etc, etc. O engraçado é que não eram casos onde a mãe marcou a data porque queria que o neném nascesse com tal signo ou no dia do santo não sei das quantas, ou no final de semana, eram casos legítimos, onde a cesárea se fez necessária mesmo, mesmo quando era uma cesárea eletiva (com data e hora marcada).

Eu adoro a Medicina por possibilitar a reprodução assistida, o aumento no índice de prematuros que sobrevivem, o diagnóstico precoce de má formações e também a cesárea. Graças a ela, mães portadoras do vírus HIV são capazes de ter filhos sem o vírus, mulheres com placenta prévia correm menos riscos, gestações múltiplas podem ter partos em datas diferentes e por aí vai. Mesmo o parto normal evoluiu com suas anestesias e a episiotomia como forma de evitar os temidos problemas no períneo que eram ocasionados pelo parto normal.

Eu mesma talvez precise de uma cesárea, mas sei que se precisar não será por conveniência do médico nem pela minha conveniência. Depois de passar por muitos consultórios e ouvir muitos sermões sobre a maravilha que é a cesárea, finalmente encontrei um médico que, assim como eu, acha que a última preocupação da mãe no dia do parto deveria ser ir ao salão fazer as unhas. Conheço quem tenha feito isso e são pessoas ótimas, mas não é algo que eu entenda. Também não entendo quem tem uma gestação normal, com um bebê saudável e marca uma data para o coitadinho nascer. Sei que vou ser apedrejada por dizer uma coisa dessas e que sempre que disser isso alguém vai vir com uma história: no meu caso eu TIVE que fazer isso porque blábláblá... Tudo bem, cada caso é um caso, mas eu ainda não entendo. Se o bebê tá bem lá dentro, por que não esperar o tempo dele? Pode ser com 38, 40 ou até 42 semanas, por que não? Eu nasci com 41 semanas e, se soubesse que aqui fora era assim, tinha ficado mais!

Sei que gravidez é um tédio de vez em quando e que o último mês é pior ainda, parece que não acaba nunca! Sei que bate uma ansiedade pra ver a carinha do rebento ou até um saco cheio por conta das transformações do corpo, mas pense que você vai olhar aquela carinha o resto da vida e quando ele chegar em casa depois do primeiro porre, vai sentir saudades de quando ele estava quietinho lá na barriga...

Existem mil motivos para ter um parto normal e mais mil para optar por uma cesárea. Também existem mil motivos pra tomar Coca-Cola e mais mil pra não tomar. A questão é basear sua escolha primeiramente no bem estar do bebê, depois no da mãe e por último no dos outros (sogra, médico, etc.). Vivemos uma era de inversão de valores, onde é preciso criar atrativos para estimular a mulher a amamentar. Depois que disseram que amamentar emagrece, o aleitamento materno voltou à “moda”, mas passamos por uma geração que precisou de campanhas de incentivo à amamentação, simplesmente porque as mães não queriam peitos caídos! O mesmo acontece com o parto normal, é preciso “vender” os benefícios dele, propagandear que a recuperação é mais rápida e menos dolorosa, sendo que o parto normal deveria ser a primeira opção de toda mãe simplesmente porque, a priori, é a melhor opção para o bebê!

Que fique o exemplo da lindíssima Fernanda Lima: mulher, primeira gravidez depois dos 30, GÊMEOS, parto normal. Amiga, se ela pode, todas nós podemos!

18 comentários:

Elaine disse...

Caroline,

Eu também não consigo entender essa escolha por uma cesárea...
Mas os médicos também são responsáveis por esses altos índices.
Eu já tive um parto normal, foi ótimo pro meu filho e minha recuperação foi maravilhosa!
Agora estou grávida de 20 semanas, e já falei pro meu GO que quero outro normal, ele já veio com aquele blábláblá de que se o bebê for grande não dá, que se minha bacia for pequena, etc e tal... já deu pra perceber que ele é chegado em bisturi.
Imagine o que ele não fala pra mães de primeira viagem e que estão em dúvida sobre o parto? É claro que elas vão acabar optando por uma cirurgia...
Sem contar que ele disse que a mulher de hoje não tem estrutura pra parto normal. Pode?
Não sei como ainda não troquei de médico...

beijos

Elaine Morais
http://laininhacherry.blogger.com.br

Lu Brasil disse...

Lindo blog, eu tive uma cesarea e um VBAC no crú kakaka. Beijos
www.lubrasil.net

Simplesmente Lú disse...

Olha eu super concordo com você, adorei o seu texto,
Quando tiver meus buguelos quero tudo assim normal. Nada de cirurgia.
Bjokas

Anônimo disse...

Oi. Está de parabéns pelo blog, simplesmente direto, objetivo e maravilhoso. Sou totalmente a favor do parto normal, acho que se Deus nos deu o dom de ser mãe, carregar um bebê no ventre durante 9 meses e o nascimento ser dessa maneira é pq temos total capacidade e controle sobre a situação.
Estou grávida de 22 semanas e sou totalmente a favor do parto normal, exceto em casos que realmente sejam necessários a intervenção.
A minha Daniella está chegando e vamos unir nossas forças desse momento em dia, uma ajudando a outra.

Bjusssss à todos

Angela disse...

Oi Carol, acho que sou a única que não está grávida (ao menos por enquanto) por aqui, no entanto concordo com tudo o que vc diz sobre o parto normal e a cesária..na minha opinião todos deveriam vir ao mundo naturalmente, salvo em casos especiais...claro ! Achei o máximo a Fernanda Lima ter tido seus GÊMEOS pelo parto normal, deveria servir de exemplo !
Só mais uma coisinha: Acho que só agora a ficha caiu, mas vc é a Carol Reis do Clube das Noivas ???...Beijos, parabéns pelo Blog

Carol Reis de Andrade disse...

Elaine, já passei pela mesma situação com a minha antiga GO antes mesmo de engravidar. Ela dizia que eu não podia ter normal porque meu quadril era muito estreito. Ao contrário do que dizem, acho que os bebês hoje em dia nascem bem menores que os bebês de antigamente. Meu pai, por exemplo, nasceu com 5kg por parto normal. Depois dele, minha avó teve mais 3 partos normais e nunca teve problemas com o períneo, graças à episio.

Lu, não entendi muito como foi esse seu VBAC, mas confesso que você é a primeira mãe que eu conheço que tenha feito um. Cesárea geralmente é que nem o Flamengo: uma vez, cesárea, cesárea até morrer. Tive uma empregada que fez 5!

Anônima, que bom saber que mais gente pensa assim! E tava meio assustada, pois só via manifestações pró-cesárea por aí e os comentários aqui do Umbigo estão me surpreendendo (ou as pró-cesárea não estão se manifestando...). Muita sorte e saúde pra você e pra sua Daniella! As 20 e poucas semanas são que nem os 20 e poucos anos: tuuuuuuuudo de bom!

Angela, a maioria das leitoras aqui do Umbigo não esá grávida, acredita? Acho muito legal as mulheres estarem buscando informação antes de tomar um passo desses na vida. Sou a Carol Reis do Clube sim, como você pode ver, eu fico impregnada em todos os lugares! hahah Beijocas!

Thaís Lopes disse...

Amei esse blog!!! Amei a forma como vc escreve e acho que assim pude compreender todas as minhas amigas grávidas... e pensar um milhão de vezes antes de comparar umas com as outras e chamar de fresca- mesmo que internamente-.

Não tô grávida, pelo menos espero, mas vou continuar vindo aqui e acompanhando as suas "aventuras" na maternidade...

bjusssss

Vânia disse...

Em busca de blogs que falam sobre o assunto (coemçando a me preparar no pensamento e na mudança de vida que é a maternidade) Achie seu lindo e salve salve blog!
Viciei!!!
Rezo para ter normal na boa....
Fico assitindo aqueles programas do discovery home e health e penso que é sempre melhor!

Dona Encrenca disse...

Oi Carol!

Eu tive um PN na raça: foram 13 horas d sofrimento q resultaram em fórceps, uma epsio enorme e a clavícula da minha filha quebrada. Td sem anestesia... Só por Deus!!

Confesso q qdo engravidei da 2ª vez estava naquele dilema: se encarava outro PN ou uma cesárea. Só q descobri q tenho hepatite C o q impossibilita outro PN (pelo menos desta vez tirei das minhas costas a responsabilidade da escolha e joguei p/ a situação).

Acho q se cesárea fosse tão natural assim teríamos um buraco na barriga p/ sair o bb, mas natural mesmo é aquele parto q preserva a integridade do bb e da mãe.

Bjs, boa escolha e boa hora para todas!!!

Zeza disse...

Carol, meu pai é médico, sanitarista e tinha um fusca com um adesivo escrito "natural, é parto normal". Cresci a minha adolescência ouvindo dele que o importante é a saúde da dulpa mãe-bebê, que amamentar é maravilhoso para o bebê e mais ainda para a mãe porque ajuda na recuperação do útero - com a liberação/retenção de hormônios específicos - e muitas outras informações. Se um dia tiver filhos, lembrarei de cada palavra dele e, se puder, farei um parto na água -não, não sou natureba mas já li muito sobre o assunto e acho que seria a melhor forma PARA mim.

Fico feliz com a sua decisão e meu pai vai adorar saber tb... rsrs

Sinto sua falta lá no Clube das Noivas...

um beijo grande

Zezé

Cláudia disse...

Então, Caroline, nem acho que o problema se resuma a parto normal ou cesariana, em termos sociais.
É que a mulher que faz uma cesariana, seja porque motivo for, escuta cada coisa absurda, que acaba se defendendo de qualquer afirmação.
Minha filha nasceu de cesariana, já na 42a. semana, porque eu e o médico ficamos esperando a nêga se decidir a sair daqui de dentro. Além da frustração pessoal, ainda teve gente que me disse que eu não sabia o que era ser mãe, porque não tinha sentido as dores do parto.
No fim, o que conta mesmo é ser assitida por um profissional competente, que decidirá na hora o que é melhor para o bebê e para a mãe. É o que realmente importa.

Jo disse...

Tantos motivos pra uma cesária... que canso so de pensar... Mas sou a favor da livre escolha, e do que for comprovadamente melhor pra mãe e pro bebê tanto fisicamente quando emocionalmente...

Carol, vai fazer a famosa sessão de fotos que toda gravida faz?
rs....

Beijos Jo

Maria Fernanda - Clave de Lua disse...

Oi Carol!!
Em primeiro lugar, brigada pela visita no MusiCow! Adorei! E com certeza vamos falar de música de criança - adoro palavra cantada!!!
Obrigada pela sugestão do tema!

Bom, como pré-treinante, acho que ainda não tenho opinião formada sobre este assunto. Minhas dúvidas são as mesmas de quem nunca pariu: o bb sofre muito no PN? A gente fica toda rasgada pra sempre? A dor é suportável mesmo? É que eu tenho uma cicatrização tão rápida, que isto não será problema em caso de uma cesárea. E eu sou daquelas que pensa que se tivéssemos que fazer tudo como se fazia antigamente, seria preciso voltar a fazer xixi na rua e usar paninhos engomados em vez de modsss!! Hehehehehehe!!
Quero pesquisar muito antes de decidir. Mas seu texto sempre ajuda e desperta uma discussão saudável.
Mais uma vez, parabééééns!!
Beijo grande!

Lulu* disse...

Eu concordo que temos que optar pelo bem estar do bebê, mas se a mãe não está preparada emocionalmente pra um parto normal (por medo ou qualquer outro motivo) acredito que complicará mais pro bebê!!
Acho que o parto feliz é o melhor parto, onde fique bom para ambos... mãe e bebê.

Beijos.

Pâmela disse...

Oi Carol!

Concordo com vc em gênero e número novamente!
Defendo o parto normal, mas sei que existem casos em que a cesária se faz necessária, assim como vc disse.
Acho horrível, e desculpa se isso atinge alguém, uma mãe que opta pela cesária simplesmente por conveniência. Uma conhecida programou a gravidez para que qdo ganhasse pudesse emendar férias com licença maternidade e depois programou a cesária para calhar com as férias do marido, pode?! É disso que sou completamente contra!

Agora vc disse algo certo, quer dizer que se amamentar deixa os peitos caídos "todas" correm para comprar mamadeiras, agora se emagrece é tudo peito na boca das crianças... Não entendo mesmo!

Isso só prova o que vc tb disse no post depois deste (consumismo), na verdade estamos virando escravos de um pensamento social coletivo sobre o que é bom, indispensável, bonito e ideal! Acho que está na hora de voltarmos a usar nossas cabeças e não a da coletividade! Se gostamos e queremos e acreditamos ponto, se não, não! Sem medo de sermos julgados pelos outros!

Tenho adorado este blog! Parabéns!

Bjosss
Pam (saudades suas no clube das noivas viu!)

garotosdaminhavida disse...

Gostei muito do post. Parabéns! Olha, meu primeiro filho nasceu de parto normal e foi ótimo. Meu segundo, já foi de parto cesária, e também foi ótimo. Também sou a favor doparto normal, claro. Mas ainda assim acho que cada um sabe oque é melhor para si. Não cabe a nós julgar, entende?

Parabéns pela gravidez, é uma dádiva!

Beijos,

Denise Azevedo

garotosdaminhavida disse...

Gostei muito do post. Parabéns! Olha, meu primeiro filho nasceu de parto normal e foi ótimo. Meu segundo, já foi de parto cesária, e também foi ótimo. Também sou a favor doparto normal, claro. Mas ainda assim acho que cada um sabe oque é melhor para si. Não cabe a nós julgar, entende?

Parabéns pela gravidez, é uma dádiva!

Beijos,

Denise Azevedo

garotosdaminhavida disse...

Gostei muito do post. Parabéns! Olha, meu primeiro filho nasceu de parto normal e foi ótimo. Meu segundo, já foi de parto cesária, e também foi ótimo. Também sou a favor doparto normal, claro. Mas ainda assim acho que cada um sabe oque é melhor para si. Não cabe a nós julgar, entende?

Parabéns pela gravidez, é uma dádiva!

Beijos,

Denise Azevedo

 

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