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sábado, 20 de março de 2010

Quatro sinais para o parto

Fique atenta para saber se está na hora de ir para a maternidade!

1 - Duas semanas antes, você pode ter o que os médicos chamam de “perda do tampão”, com o aparecimento de uma mancha de sangue na calcinha. É uma espécie de catarro vermelho-escuro, e não um grande sangramento. É importante avisar o médico.

2 - A barriga abaixa um pouco quando o bebê encaixa. Você vai notar essa descida.

3 - As contrações uterinas que antecedem o parto acontecem de três a quatro vezes, por mais de 30 segundos, durante 10 minutos. Não quer dizer que seu filho vai nascer naquele momento, mas vale ligar para o obstetra – e, claro, para o pai do bebê – e ir à maternidade.

4- Se a bolsa se romper, vá para o hospital. A ruptura independe das contrações. Para ter a confirmação de que a bolsa estourou, troque de calcinha e ande um pouco. Durante a caminhada o bebê vai se mexer e mais líquido pode vazar. Chegou a hora!

FONTE :: CRESCER

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

PEDRO NASCEU!!!

O "inquilino" da barriga da prima, da foto abaixo, já saiu do quentinho onde esteve guardado por 9 meses!
Apesar de estar sendo esperado para o dia 22... Mostrou que tem personalidade e resolveu escolher o dia que vinha ao mundo!!!

Seja bem vindo Pedro!!!

Com 50,5cm e 3,5kg
Na Maternidade São José


quinta-feira, 21 de maio de 2009

Um outro relato de parto

Inspirada no relato da Nanda e no fato de agora ter uma babá que tome conta do meu pimpolho enquanto eu escrevo, hoje sai o relato do meu parto!

Minha grande preocupação era não saber que eu estava em trabalho de parto, a bolsa estourar no meio do supermercado e eu dar a luz dentro de um táxi. Felizmente meu obstetra me deu uma apostila que descrevia todas as fases pelas quais eu passaria, o que eu sentiria, tempo e intervalos entre contrações, essas coisas.

Começou na sexta-feira. As primeiras contrações regulares, fraquinhas, porém regulares. Eu sabia que meu filho nasceria nos próximos 3 dias e isso me deu um certo conforto, afinal, eu já tinha passado das 40 semanas há tempos e estava quase batendo nas 42. Pra quem nunca teve filho, deve achar que 2 semanas não é nada, mas para uma grávida a gestação dura 8 meses e 1 ano, porque o último mês é uma eternidade. Pior ainda pra quem chega no 10° mês, como no meu caso.

No sábado eu comecei a perder o tampão. Ta aí outra coisa que eu nem sabia que existia, o tal do tampão. Como as contrações ainda estavam tranqüilas, eu nem me desesperei, pelo contrário, fui ao shopping com o meu marido e ligamos para um casal de amigos para almoçarmos todos juntos. Aquele seria nosso último almoço entre adultos, o que foi um ótimo argumento para convencê-los a se despencarem até nós.

Depois das 40 semanas, a monitoragem fetal se torna mais freqüente. A essa altura eu já via meu obstetra um dia sim e o outro não e fui ao hospital fazer a monitoragem no domingo de manhã. A obstetriz viu que as contrações estavam regulares, mas o Henrique ainda demoraria para nascer. Além disso, ele nem estava encaixado, a barriga não “desceu”, então ele não viria no domingo.

Meia-noite. Chega a segunda-feira. À meia-noite de domingo para segunda elas chegam, as temidas contrações mais fortes. Ainda não eram as piores, mas a gente não entende como pode ficar pior que aquilo na hora. O mundo parece que vai acabar durante 20 segundos, depois tudo volta ao normal. Eu não quis incomodar o obstetra àquela hora, seria muito clichê ele ser acordado com o telefone no meio da madrugada, então segui firme em casa mesmo, pois a santa apostila dizia que eu ainda teria um longo caminho pela frente. Chegou uma hora que não deu mais e essa hora pode ter sido 15 minutos depois de eu ter decidido não incomodar o obstetra, porque a noção de tempo muda muito quando o mundo parece que vai acabar, não é? Liguei pra obstetriz, que mandou eu ficar embaixo do chuveiro, com água morna caindo nas minhas costas, na barriga e isso realmente ajudou muito. Fiquei o máximo que pude, sempre ligando e passando informações sobre meu estado, freqüência e intensidade das contrações, até que às 3h da manhã ela mandou eu ir pro hospital.

Como o balanço do carro se torna insuportável pra uma mulher em trabalho de parto! Agora eu entendo porque nos filmes tantos bebês nascem dentro do carro, a impressão que dá é essa mesmo. Chegando ao hospital, fiz meu “check-in” e foram me examinar. Já estava com 3 cm de dilatação. Enquanto o anestesista não chegava, eu fui pro chuveiro, mas eu já estava de saco cheio de ficar no chuveiro, estava com fome, sede, sono, mas não podia comer, beber e não conseguia dormir. Até que ele chegou... O anestesista... Gente, ver o anestesista quando você está com contrações é melhor que encontrar o Brad Pitt nu na sua cama. Ele fez a sua mágica e meu mundo ficou cor de rosa!

Depois de tanto ficar no chuveiro, eu já estava bem limpa, né! Fique na monitoragem com a minha santa anestesia que fazia eu ver as contrações, mas não sentir nenhuma dorzinha. Meu obstetra acha importante a mulher não sentir dor durante muito tempo, senão ela fica muito cansada e acaba não conseguindo fazer força na hora do parto. Eu ainda não podia comer nem beber nada, mas consegui dormir, o que fez toda a diferença porque o rapazinho ainda não estava encaixado e ia demorar pra chegar.

Às 8h da manhã a dilatação estava completa e o Henrique ainda estava boiando na minha barriga. O obstetra estourou minha bolsa e começou a tentar fazê-lo encaixar. Aí vocês me perguntam: mas como? E eu explico: na mão mesmo. Quando a contração vinha eu fazia força e ele montava em cima da minha cabeça e empurrava a bunda do menino com os dois polegares pressionando a minha barriga. Mas não era uma pressãozinha, era o peso de um homem inteiro em cima de dois polegares, o que me fazia gritar de dor feito uma louca descompensada no hospital, parecia que eu já estava parindo. Aliás, não era só o obstetra, todo mundo montou na minha cabeça: o anestesista, a obstetriz e o outro obstetra que também me acompanhava.

Meio dia e nada do menino encaixar. O obstetra disse que já estavam tentando há muito tempo e que ele não tinha descido nem um pouquinho, então que talvez eu devesse considerar fazer uma cesárea. Eu queria muito um parto normal, mas se só encaixar o menino já doía tanto, imagina na hora de nascer! Amarelei e disse que eu sabia que ele não me empurraria uma cesárea à toa e que se ele achava que eu precisava de uma, que deveríamos fazer na mesma hora.

Ele foi trocar de roupa e eu fui pra sala de cirurgia. Só que entrando na sala, eu entrei em pânico: “Meu Deus, vão cortar meu útero!” Comecei a falar um monte de asneiras do tipo: “Enfermeira, pelo amor de Deus não esqueçam nada dentro de mim!” Eu fui preparada para um parto normal e vendo o meu nervosismo a obstetriz decidiu tentar mais uma vez encaixar o bebê, chamou o outro obstetra, o anestesista e montaram de novo na minha cabeça, mas dessa vez...

Dessa vez nada, o menino não encaixou, mas pelo menos deu uma descidinha. Avisaram o obstetra, que quando viu que ele havia descido um pouquinho, retomou a maratona do encaixe manual. Após 20 minutos de tentativas, ele encaixou! Nesse momento eu pensei: “Se demorou e doeu tanto pra fazer o bebê encaixar, imagina pra fazer nascer. Só vou sair daqui à noite!”

Já que estava na chuva, era pra me molhar, então quando veio a contração eu fiz aquela força caprichada e o obstetra me diz: “Não faça tanta força, faça meia-força.” Mas que diabos é meia-força? Acho que minha força foi tão forte, que na primeira já senti a cabeça do bebê saindo. Na segunda contração eu fiz uma força menos forte, mas senti que saiu mais um pouquinho, aí caprichei e o menino... Escorregou!

Mulherada do meu Brasil baronil, o menino saiu tão rápido e numa facilidade que eu tive que olhar pra baixo pra acreditar que tinha saído inteiro mesmo. Foram só 2 forcinhas e já tinha acabado! Minhas primeiras palavras foram: “É só isso?” Acho que fiquei tão chocada e decepcionada com a falta de complexidade do processo que nem consegui lembrar de me emocionar.

Meu marido e meu pai acompanharam o parto, meu marido ficou com os olhos mareados e meu pai estava que nem pinto no lixo. Era foto pra todo lado, enquanto do lado de fora minha sogra e minhas cunhadas acompanhavam a pesagem, banho, etc. através de um vidro. Foi engraçado ouvir minha cunhada descrevendo a minha cara depois que o bebê nasceu, porque a primeira coisa que eu fiz foi levantar o lençol pra olhar minha barriga e eu fiz uma cara de espanto porque ela tinha sumido instantaneamente.

Quando eu me situei e comecei a fazer o que já devia estar fazendo desde o início, que era babar em cima do meu filho, senti um movimento estranho e vi o obstetra fuçando lá embaixo. Perguntei imediatamente o que ele estava fazendo e ele respondeu que estava tirando a placenta. Ta aí outra coisa que ninguém fala nem descreve, a retirada da placenta, acho que é porque todo mundo faz cesárea e nem sente quando isso acontece. A sensação é que estão puxando uma corda dentro de você e no final dela tem um balão amarrado. Pronto, agora vocês sabem como é parir uma placenta.

Assim que o Henrique nasceu, depois de ser pesado, medido e de terem sido feitos os primeiros testes, o novo papai deu o primeiro banho, dentro da sala de cirurgia mesmo, com a platéia acompanhando pela janela. Acabado o banho, que nem é pra limpar, é só pra relaxar mesmo, ele foi direto pro peito e mamou feito um louco, devia estar com a mesma fome da mãe.

Eu saí da maca sozinha, o bebê nasceu às 12h29 e às 16h eu já estava tomando banho sozinha. Saí da maternidade querendo mais 2!

Tá aí o resultado da minha aventura:




PS: É impossível fazer um relato de parto curto. Afinal, como resumir 36 horas com tantos detalhes emocionantes em poucos parágrafos?

sexta-feira, 15 de maio de 2009

MEU RELATO DE PARTO

Na segunda-feira passada, dia 4 de maio, tive minha última consulta com a Dra. Norma. Antes disso, nos vimos na quinta e ela fez um toque bem caprichado, pra ver se o Tiago começava finalmente a se animar pra conhecer o mundo. No dia 4 eu faria 40 semanas e estava decidida a não esperar muito se passasse deste prazo.

Passamos o feriadão de primeiro de maio na maior tranqüilidade. Comemos comida nordestina, fomos à praia, passeamos... Juro que esperava uma surpresa dele. Queria mesmo que a bolsa rompesse, que as dores começassem... Qualquer coisa bem de novela, sabe? Mas o máximo que aconteceu foram algumas contrações mais fortes... E quando chegamos no consultório na segunda de manhã, eu já sabia que meu colo não tinha dilatado nem um milímetro. E também já sabia o que fazer a seguir.

A médica me perguntou se eu queria fazer uma cesárea e eu mandei na lata que, se desse, queria naquele dia mesmo. Antes perguntei se valia à pena esperar mais um pouco, claro. Mas ela me tirou as esperanças. Do jeito que a coisa ia, uma indução não ia funcionar. E eu provavelmente passaria horas em sofrimento pra acabar em uma mesa de cirurgia. Então, se tinha que ser assim, que fosse logo, pra nem dar tempo de pensar.

E assim foi. Sem tempo de pensar mesmo!! Cheguei em casa, comi uma sopinha que minha mãe preparou em minutos, de tão nervosa, tomei um copo de suco de laranja bem doce... E entrei em jejum.

Ainda sentei no computador, paguei meu INSS, dei entrada no pedido de salário maternidade, paguei umas outras contas, mandei uns emails e aí fui tomar um banho bem demorado. Até pensei que neste momento eu desabaria, que a ficha finalmente cairia, mas a minha calma era impressionante.

Ainda estávamos planejando uma passadinha no shopping, pois minha mãe precisava pagar o carnê da Renner... Tudo bem trivial, como outra tarde qualquer de segunda-feira. A gente passa no shopping, depois dá um pulo no hospital e tem um filho, e se der ainda pega um cineminha depois hahahahahaha!!!

A sensação que eu tinha era a de que estava indo fazer uma pequena cirurgia, como uma lipo, ou coisa parecida. Não tinha me dado conta ainda das conseqüências. Saímos de casa pouco depois das três da tarde, com as malinhas no carro, e só então notamos a tempestade que vinha se aproximando. Em cinco minutos o céu ficou preto, mas preto mesmo. Tanto que as luzes dos postes se acenderam, como se a noite já tivesse chegado.

Claro que abortamos a ida ao shopping e fomos direto pra Casa de Saúde, né? Chegamos lá ainda a tempo de estacionar o carro na última vaga possível... E aí caiu uma chuva de pedra. Depois de cinco minutos, o tapete na entrada da maternidade estava coberto de pedaços enormes de gelo. Simplesmente surreal!

Entreguei minha documentação na recepção e logo fui chamada para uma consulta com o plantonista. Engraçado é que eu estava tendo contrações e ele pôde ver que eram bem fortes. Mas meu útero continuava alto, fechado... Não tinha jeito – às 19:15h eu ia entrar mesmo na faca.

Marco chegou e nos encontrou ainda a espera da liberação do quarto. De repente uma enfermeira me chamou e mandou que eu tirasse as bijus e penduricalhos. Só então senti que a hora estava chegando – e comecei a me preocupar um pouco.

Marco e mamãe subiram pra deixar as coisas no quarto e já me encontraram na volta com uma bela camisola e um soro espetado no pulso. A touquinha, então, nem me fale... Um charme!!

Tiramos fotos, conversamos, fizemos de conta que tudo estava calmo... E eu finalmente convenci o Marco de que ele não precisava assistir a cesárea. Ele estava apavorado, e eu sentia que ele só entraria na sala por minha causa, pra estar comigo. Quando finalmente estava decidido que ele não ia, Dra. Norma chegou e o convenceu do contrário em 3 minutos. Quando vi, Marco já estava com a autorização nas mãos e indo pra recepção acertar a taxa de acompanhante... Ele fez tudo sem pensar, que nem eu. Que bom!

Quando vieram me buscar, minha preocupação já tinha virado pânico. Andei até a sala de cirurgia, grande e clara, com aquela cama no meio, e só então a tremedeira começou. Fui apresentada à equipe e sentada na cama, de lado. O anestesista veio por trás e uma enfermeira me abraçou pra que eu tomasse a ráqui sem sair correndo. Dei um belo beliscão no braço dela quando senti a primeira espetada, mas depois fiquei mais calma – e até ri quando o anestesista disse que aplicaria outra vez, só pra eu beliscar a pobre coitada com mais força hehehehehehe!!

Logo que me deitaram, comecei a sentir a parte de baixo do corpo formigando. Era como se tivessem desenhado uma linha no meio da minha barriga. E daquele ponto pra baixo eu fui perdendo a sensibilidade aos poucos.

Eu ia relatando ao anestesista tudo o que estava sentindo. E quando disse que não conseguia mais mexer a perna, ele suspirou aliviado e disse: “Ufa! Finalmente uma anestesia minha pegou!!” – Como esse povo de hospital é engraçadinho, né?

Quando a Dra. Norma se aproximou, eu já estava de braços abertos, monitorada, pronta pro abate. Marco ainda não tinha entrado, e aí eu me preocupei de verdade, pois a porta da sala era na frente da cama, ou seja, quando entrasse, ele ia ver tudo o que estava se passando.

Vi quando o pessoal trouxe ele pra dentro, andando duro feito um robozinho. A essa altura eles já estavam me cortando e eu já estava mais relaxada, pois realmente não sentia qualquer tipo de dor.

Marco se sentou atrás de mim e eu fui relatando o que sentia. Às vezes era como se eu fosse uma sacola, e alguém estivesse vasculhando lá dentro, a procura de alguma coisa. A sensação é a mais estranha do mundo... Me fez lembrar do que as pessoas dizem sobre cesárea – “é só abrir e tirar! Muito melhor do que ficar sentindo dores...” – não sei se eu concordo mais com isso...

Em menos de dez minutos o pessoal anunciou que o Tiago ia nascer. Um dos médicos veio por trás da minha cabeça e disse que empurraria por cima, pra ajudar a Dra. Norma a puxar o bebê. Achei aquilo assustador, mas a esta altura, eu era só adrenalina. Nem lembro o que senti quando o empurrão aconteceu. Só lembro da voz deles, dando as boas vindas ao meu filho, e do choro que soou em seguida pela sala, acompanhado pela minha vontade louca de olhar aquela pessoa que já estava aqui há meses – mas finalmente a gente podia conhecer ao vivo.

Quando o médico passou ao meu lado e me mostrou o Tiago, achei ele bem pequeno, menor do que eu esperava. Marco ficou sem reação – e eu só pedia que ele fosse lá, que visse se estava tudo bem com ele. Quando ele voltou pro meu lado, já trouxe o embrulhinho azul junto do peito, aos berros. Beijei a cabecinha do meu filho pela primeira vez de muuuuuitas... E o tempo parou um pouquinho, só pra caber tanta felicidade.

Fomos interrompidos pelo pediatra, que perguntou o que o Marco tinha no bolso da camisa. Como assim??? Era a câmera, claro. Acho que 120% dos pais deve fazer a mesma coisa: colocar a câmera no bolso e simplesmente se esquecer dela depois deste momento louco, que é o nascimento.

Tiramos muitas fotos, rezamos um Pai Nosso em família, assistimos nosso filhote chupar suas mãozinhas loucamente, já demonstrando que tinha puxado sua mamãe esfomeada. Rimos do berreiro dele, rimos de tudo aquilo, esquecemos até que eu estava ainda sendo costurada e remendada naquela mesa...

Tiago ficou o tempo inteiro conosco. E quando saiu, já foi pro elevador com a vovó babona, chorando muito... Eu fiquei lá na máquina de costura, até que a equipe se despediu e vieram 4 enfermeiras pra me levar embora. Aí tive mais um pouco de medo, pois eu via o reflexo das minhas pernas, via como estavam mexendo em mim, e não conseguia sentir nada daquilo!!

Fui arrastada da cama para uma maca, depois levada pelos corredores e arrastada para a cama do quarto 309. A tremedeira voltou um pouco, mas eu estava bem acordada, com vontade de falar, mas ainda um bocado de medo. Eu temia que alguma reação acontecesse, que eu desmaiasse, que um contratempo qualquer atrapalhasse tanta alegria. Mas graças a Deus o efeito foi passando, comecei a sentir os membros formigando, e logo trouxeram meu pacotinho amarelinho para mamar, todo cheiroso e cheio de disposição.

A enfermeira o colocou no peito logo na primeira tentativa – mas a minha posição era bastante complicada. Depois da anestesia, não se pode levantar nem a cabeça por 6 horas, pelo menos... E ainda tinha a sonda, o soro, o corte, tudo muito desconfortável.

Meu pai chegou alguns minutos depois de eu entrar no quarto. Ficamos juntos por um tempo, até que ele e Marco foram pra casa e eu passei a primeira noite com minha mãe e meu filho.

Esse negócio de alojamento conjunto é meio assustador no princípio. As enfermeiras dizem o ramal que a gente deve ligar se tiver algum problema, dão boa noite... E tchau! Deixam aquele “estranho” no seu colo, sem manual de instruções hahahahahaha!!!

Claro que dormimos muito pouco esta noite. Tiago foi quem dormiu melhor, na verdade. Depois de algumas tentativas no bercinho, percebemos que ele só ficava quietinho mesmo no meu braço. E assim passamos a noite inteira – eu toda torta, tentando não espremer muito o coitadinho; minha mãe colocando almofadas, com medo que eu adormecesse e jogasse o menino no chão – e ele lá, todo torto, aconchegado no peito preferido dele hehehehehe!! Que vida boa!!

No dia seguinte, demos uma folga pros meus pais e o Marco ficou conosco o dia todo. Logo pela manhã, tiraram meu soro e a sonda – e eu recebi uma visita da Dra. Norma. Meu café da manhá era dieta líquida... Mas logo ela viu que eu estava bem e merecia comer ao menos um pãozinho!! A esta altura, a sopinha de ontem já tinha descido pela sonda faz tempo!!!

Aliás, tive muita dificuldade pra fazer o primeiro xixi depois da retirada da sonda, mas um telefonema da tia Regina me incentivou – e no meio da tarde eu tinha conseguido vencer a dor e obrigar meu corpo a funcionar novamente. Acho que esta é a parte mais estranha da recuperação em uma cesárea. Não sei se em PN também é assim, mas a impressão que temos é a de que tudo foi recolocado dentro da gente de qualquer jeito. Eu apalpava minha barriga e sentia partes mais duras, pedaços que podiam ser ainda as perninhas do Tiago... mas não eram, né? Ele estava ali, com todas as perninhas do lado de fora!!

O que acontece é que a musculatura da pelve não obedece mais aos comandos. Por isso, tanto o número um quanto o número dois parecem coisas impossíveis de se fazer. E a gente vai se sentindo entupida por dentro... Bem ruim!!

Mas não quero ficar apavorando ninguém, viu? Já no primeiro dia eu tomei banho sozinha e daí pra frente a minha recuperação tem sido muito rápida. Recebi alta na quarta de manhã cedo, tirei meus pontos na terça desta semana, já estou fazendo praticamente tudo – e também já me acostumei com uma cinta méééééga-apertada, que eu só consigo vestir deitada. É o único jeito de reduzir a barriguinha estranha que fica de herança depois do encolhimento a jato!!!!

Desde o parto eu já perdi 7kg – agora falta só um pouquinho pra recuperar os 8.5kg que ganhei, mais os 2 ou 3 que já estavam sobrando antes de engravidar – aqueles que todo mundo sempre tem hehehehehe!! Se Deus quiser, e com a ajuda do meu pequeno mamãozinho, em breve estarei magrelinha outra vez!!

Ufa! Se você chegou até aqui, é porque realmente eu escrevo bem, ou porque você gosta muito de mim, né? Affff!!!!! Quase um testamento!!!!!

Mas eu queria escrever muito mais. Aliás, eu queria conseguir escrever todas as emoções e experiências, todo o aprendizado e o indescritível amor que acontece em nós quando nos tornamos mães. Talvez seja até melhor que eu não consiga expressar estas coisas. Afinal, cada um sente de um jeito, né?

Mas de uma coisa você pode ter certeza...



Ainda não inventaram nada mais bonito e intenso nesta vida!!!!!!!

domingo, 2 de novembro de 2008

Falando sobre parto outra vez!

Nossa Amiga do Umbigo Carla Beatriz escreveu um comentário muito bacana, na época daquele meu post-desabafo sobre o parto normal. (24/09/2008 – A maior dor do parto... É ter que escolher o parto!) Vou reproduzir aqui o texto dela pra que todo mundo leia!

“Muito prazer, sou a Carla Beatriz, mãe de dois filhos de parto normal humanizado, sem intervenções, sem anestesia e, muito importante, SEM TRAUMAS!Creio que você está com muitas dúvidas em relação ao parto normal e quer decidir pela cesárea, para não precisar pensar ou ter que escolher.
Pois bem, o primeiro benefício do parto normal é o protagonismo da mulher sobre o evento. Quando a mulher experimenta um parto normal humanizado, ela protagoniza seu próprio parto e se "empodera". O parto é um processo fisiológico normal, assim como evacuar e urinar. Você sabia que somente nos últimos 50 anos é que as mulheres começaram a ir ao hospital para ter filhos? Antes disso, elas tinham seus filhos em casa, acompanhadas de uma parteira. Você acha que as taxas de mortalidade e morbidade materna diminuíram porque os partos começaram a acontecer no hospital? Ledo engano.
Quanto à cesárea, ela só é realmente necessária em menos de 15% dos casos, segundo as recomendações da OMS.
Você fala do bebê espremido e empurrado. Você sabia que ele PRECISA ser espremido para poder expelir o líquido de seus pulmões, já que dentro do útero materno ele está no meio aquático e ao nascer, ele passa para o ambiente sem água? O fórceps deve ser usado em regime de absoluta exceção e não como rotina. Se não há dilatação, o bebê não terá como nascer e muitas mulheres dilatam bastante rápido, vai depender de cada caso.
Quanto ao corte feito na vagina, concordo com você, as mulheres são impiedosamente retalhadas, mas você sabia que há médicos que não fazem esse corte - a episiotomia? Eu não sofri a episiotomia em nenhum de meus dois partos e meu períneo ficou íntegro no segundo parto.
Enfim ... vc tem muito material para pesquisar na internet. Convido-te a conhecer os sites Parto do Princípio, Amigas do Parto e meu próprio blog.Estou à disposição para oferecer dicas, ajuda, informações, compartilhar minha experiência contigo.
Um beijo!

Nesta semana a Carla me escreveu novamente, perguntando minha opinião sobre o que ela disse.

Claro que nas últimas semanas eu parei muitas vezes pra pensar neste assunto, ainda mais depois do meu primeiro pré-natal, em que minha GO deixou claríssimo que parto é normal e cesárea só vai rolar caso seja necessário.

E parece que já faz décadas que escrevi aquele post. Minha opinião hoje já é tão diferente... E faz pouco mais de um mês!!

Não que eu tenha me tornado uma defensora ferrenha dos partos normais e esteja construindo uma manjedoura na minha vaga de garagem pra poder parir como as mulheres sempre pariram. Acho que o que mudou foi meu foco sobre o parto – hoje em dia não penso mais no tipo, mas no que será melhor para mim e pro meu filho. E se o melhor for mesmo o parto vaginal, é assim que vai ser.

A convicção que tenho agora é a de que parto não é momento mágico, lindo e esplendoroso. Não quero música nem luz especial. Quero um bom hospital, uma boa equipe, que será cobrada minuto a minuto por uma mãe muito bem informada. Quero decisões precisas, segurança, objetividade. Se doer demais, quero anestesia. Se tiver que cortar, que corte direito. Se der pro bebê vir no colo em seguida, que venha. Se não der, não tem problema.

Não faço questão de ser a primeira a pegar, de dizer palavras especiais, de estar maquiada ou de unhas feitas. Faço questão de extrema higiene, de comunicação constante sobre tudo o que acontece, de pouco fru-fru e muita segurança.

Descobri que, pra mim, não importa o método, o meio, o caminho. Importa que eu e meu filho cheguemos vivos e saudáveis ao fim deste processo de transição – isso é o que significa o parto. Passagem. Eu quero simplesmente que acabe bem pra nós dois. Isso basta.

E por favor, nada de festa e pirotecnia. Quero meu marido ao meu lado, ou minha mãe, se ele não quiser ver na hora. Se ele não quiser cortar cordão, já disse que está liberado. Se ele quiser entrar com uma câmera, ótimo. Se não quiser, não vai ter foto nem filmagem – nem vidro com parentes olhando tudo. NÂO É FESTA. É um procedimento delicado e exige concentração de todo mundo.

Tenho lido bastante sobre todos os tipos de parto e acho que valeu muito ter escrito aquele post antes de formar qualquer opinião. Hoje percebo o quanto a nossa cabeça vai sendo preparada ao longo do caminho – e já me sinto bem mais apta a escolher e a assumir um papel ativo no meu parto.

Não sei se te respondi direito, amiga, mas pode ter certeza de que vou tentar um parto natural, se eu tiver total segurança de que este procedimento será mesmo o melhor para mim e para o meu filhote. Até agora, senti muita confiança na minha médica quanto a isso. E espero não mudar minha opinião nos próximos meses!!!!

Mais uma vez, agradeço pela sua mensagem tão bacana e pelas indicações dos sites sobre parto e amamentação!

Bem, e pra quem ainda tem dúvidas, achei bacana esta entrevista que passou na Record News. Basicamente, a gente já sabe de quase tudo que o médico fala no programa. Mas a maneira como ele fala é realmente esclarecedora e nos ajuda a organizar melhor nossas próprias idéias.

Primeira Parte:
http://www.mundorecordnews.com.br/play/a4428e7f-ddb5-44ec-baea-0ab0e1db3d38

Segunda Parte:
http://www.mundorecordnews.com.br/play/e70719b8-d934-4489-9643-4699154bfea6

Terceira Parte:
http://www.mundorecordnews.com.br/play/6b3d02%2057-4a7e-457d-9b2e-573c1acedbc9

Boa semana pra todas!!!
Saúde seeeempre!!

Beijo!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

É normal querer ser normal?

Sou contra a banalização da cesárea.

Isso resume bem minha opinião a respeito do assunto. Obviamente não sou uma hippie louca que acha que todo mundo tem que parir em casa ou que quem faz cesárea é menos mãe por causa disso. Apenas acredito que a cesárea deve ser tratada pelo que é, uma intervenção cirúrgica, e que deve ser usada com critério.

Provavelmente vai aparecer um monte de gente aqui comentando que fez cesárea, justificando e defendendo sua escolha. De certa maneira, fica parecendo que a pessoa sabe que essa não é a opção natural e se sente um pouco culpada por ter feito uma, senão não sentiria necessidade de justificar. Digo isso porque esse assunto surgiu em uma lista de discussão de esposas da qual participo e ao defender o parto normal recebi uma enxurrada de e-mails ofendidíssimos de mães contando suas histórias cheias de sofrimento que as levaram a optar por um parto cesárea, o quanto ficaram satisfeitas com o resultado, que seus bebês corriam riscos, que elas não eram piores por causa disso, etc, etc, etc. O engraçado é que não eram casos onde a mãe marcou a data porque queria que o neném nascesse com tal signo ou no dia do santo não sei das quantas, ou no final de semana, eram casos legítimos, onde a cesárea se fez necessária mesmo, mesmo quando era uma cesárea eletiva (com data e hora marcada).

Eu adoro a Medicina por possibilitar a reprodução assistida, o aumento no índice de prematuros que sobrevivem, o diagnóstico precoce de má formações e também a cesárea. Graças a ela, mães portadoras do vírus HIV são capazes de ter filhos sem o vírus, mulheres com placenta prévia correm menos riscos, gestações múltiplas podem ter partos em datas diferentes e por aí vai. Mesmo o parto normal evoluiu com suas anestesias e a episiotomia como forma de evitar os temidos problemas no períneo que eram ocasionados pelo parto normal.

Eu mesma talvez precise de uma cesárea, mas sei que se precisar não será por conveniência do médico nem pela minha conveniência. Depois de passar por muitos consultórios e ouvir muitos sermões sobre a maravilha que é a cesárea, finalmente encontrei um médico que, assim como eu, acha que a última preocupação da mãe no dia do parto deveria ser ir ao salão fazer as unhas. Conheço quem tenha feito isso e são pessoas ótimas, mas não é algo que eu entenda. Também não entendo quem tem uma gestação normal, com um bebê saudável e marca uma data para o coitadinho nascer. Sei que vou ser apedrejada por dizer uma coisa dessas e que sempre que disser isso alguém vai vir com uma história: no meu caso eu TIVE que fazer isso porque blábláblá... Tudo bem, cada caso é um caso, mas eu ainda não entendo. Se o bebê tá bem lá dentro, por que não esperar o tempo dele? Pode ser com 38, 40 ou até 42 semanas, por que não? Eu nasci com 41 semanas e, se soubesse que aqui fora era assim, tinha ficado mais!

Sei que gravidez é um tédio de vez em quando e que o último mês é pior ainda, parece que não acaba nunca! Sei que bate uma ansiedade pra ver a carinha do rebento ou até um saco cheio por conta das transformações do corpo, mas pense que você vai olhar aquela carinha o resto da vida e quando ele chegar em casa depois do primeiro porre, vai sentir saudades de quando ele estava quietinho lá na barriga...

Existem mil motivos para ter um parto normal e mais mil para optar por uma cesárea. Também existem mil motivos pra tomar Coca-Cola e mais mil pra não tomar. A questão é basear sua escolha primeiramente no bem estar do bebê, depois no da mãe e por último no dos outros (sogra, médico, etc.). Vivemos uma era de inversão de valores, onde é preciso criar atrativos para estimular a mulher a amamentar. Depois que disseram que amamentar emagrece, o aleitamento materno voltou à “moda”, mas passamos por uma geração que precisou de campanhas de incentivo à amamentação, simplesmente porque as mães não queriam peitos caídos! O mesmo acontece com o parto normal, é preciso “vender” os benefícios dele, propagandear que a recuperação é mais rápida e menos dolorosa, sendo que o parto normal deveria ser a primeira opção de toda mãe simplesmente porque, a priori, é a melhor opção para o bebê!

Que fique o exemplo da lindíssima Fernanda Lima: mulher, primeira gravidez depois dos 30, GÊMEOS, parto normal. Amiga, se ela pode, todas nós podemos!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Campanha Incentivo ao Parto Normal

Vou colocar aqui um texto do Ministério da Saúde para reflexão de todas. O tema não deveria ser, mas acaba sendo polêmico. Leiam, pensem a respeito e depois dou minha opinião.

Campanha Incentivo ao Parto Normal


O Ministério da Saúde lançou a Campanha Incentivo ao Parto Normal. A cesariana já representa 43% dos partos realizados no Brasil no setor público e no privado. Nos planos de saúde, esse percentual é ainda maior, chegando a 80%. Já no Sistema Único de Saúde, as cesáreas somam 26% do total de partos. O parto normal é o mais seguro tanto para a mãe quanto para o bebê. De acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde, as cirurgias deveriam corresponder a, no máximo, 15% dos partos.

Por ser uma cirurgia, a cesariana somente é indicada para os casos que tragam risco para a mãe ou o seu bebê. Quando realizada sem que exista uma indicação médica precisa, aumentam os riscos de complicações e de morte para a mulher e para o recém-nascido.

Não é raro que as cesarianas sejam agendadas antes de a mulher entrar em trabalho de parto. Estudos demonstram que fetos nascidos entre 36 e 38 semanas, antes do período normal de gestação (40 semanas), têm 120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios agudos e, em conseqüência, acabam precisando de internação em unidades de cuidados intermediários ou mesmo UTI Neonatal. Além disso, no parto cirúrgico há uma separação abrupta e precoce entre mãe e filho, num momento primordial para o estabelecimento de vínculo.

Finalmente, as chances de a mulher sofrer uma hemorragia ou infecção no pós-parto também são maiores em caso de cesárea, existindo ainda um risco aumentado de ocorrer problemas em futuras gestações, como a ruptura do útero e o mau posicionamento da placenta.


Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=28513

 

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