Não é que eu também não ande me estressando com todas as questões inerentes a este período. Mas outro dia me peguei pensando nas coisas que eu vou contar pro meu filho. Coisas do meu tempo, que parecem não ter explicação para uma pessoa modelo 2009!
Por exemplo: como explicar que aquele velhinho branquelo e deformado, que anda de pantufa na rua e cobre a cara dos filhos... Era preto, charmoso, talentoso e mamãe arrastava um caminhão por ele? Hein?

E os discos? Como explicar um vinil, nos tempos do IPod?
Lembro do meu aniversário de 7 anos – acho que era isso – quando ganhei da minha tia Dora o LP do velhinho branquelo. Minha mãe ainda tem a minha foto abraçada ao “Thriller”, com um sorrisão de felicidade atrás daquele quadrado maior que eu!
Aliás, a palavra “discar” também vai ser boa de explicar. Como essa criança vai ficar intrigada ao saber que o telefone tinha um disco transparente em cima, com buraquinhos onde a gente enfiava os dedos!!
Televisão? Tinha só uns 5 ou 6 canais. E de madrugada saía do ar!
Quando a gente gostava de uma música, era só ficar ao lado do rádio esperando tocar, com o dedo no REC do gravador. Aí a música entrava e a gente gravava em fita, sempre cortando uns pedaços e torcendo pra rádio não colocar aquelas malditas vinhetas no meio, que estragavam a música – tipo: “Cidáááááde....” Afff!!
Aliás, fita cassete também servia pra armazenar os dados do computador! Como assim?
Mamãe passava um sábado inteiro na aula de informática, digitava um monte de códigos complicadérrimos e aí aparecia na tela da televisão um desenho tosco de casinha, com umas 6 cores no máximo. Era uma emoção tão grande que a gente tinha que gravar – e gravava em fita, com um gravador daqueles antigões. Meu Deus, como eu sou velha!! Hahahahahaha!!
E o celular? Eu só tive o meu primeiro quando já era adulta!
E videocassete? E os primeiros videogames? E as câmeras com filme?
É simplesmente fantástico pensar que eu vivi num outro tempo, outra dimensão. Pensar que pouco mais de trinta anos me separam desta pessoinha – e ainda assim eu terei muitas histórias loucas pra contar, muitos objetos e situações que não farão parte do universo dela, mas que certamente atiçarão sua curiosidade infantil.
Acho que ficar grávida nos faz perceber o quanto já vivemos. É como se o nosso capítulo solo estivesse acabando – e agora começasse uma nova página, um novo mundo pra vivenciar e aprender.
Outro dia peguei a edição especial, comemorativa dos 40 anos da Veja, e fiquei folheando ao acaso, identificando quase todas as personagens que apareciam, os momentos históricos, os lugares – quase tudo naquela retrospectiva me pareceu tão familiar... Mas é claro! Dos 40 anos da Veja, eu vivi 31! Como poderia ser diferente?
Serei então o arquivo vivo do meu filho. E tentarei mostrar a ele um mundo louco que não existe mais – e deu lugar a outro mundo louco, que agora eu vou ter que tentar entender.
Só é triste pensar que talvez ele nunca receba uma carta escrita a mão, nem escreva uma. Tão boa a sensação de receber notícias do amigo de longe, com a letra dele... Aliás, será que meu filho vai ter “a letra dele?” Mas provável que ele tenha um avatar primeiro hehehehehe!! Uma pena!
E vocês? Também pensam essas maluquices? Qual a coisa mais biruta que já passou pelas suas cabecinhas de pré-mães até agora? Vamos registrar, meninas!
Um dia nossos filhos vão rir muito das mães loucas que eles têm!!
Beijo grande pra todas!!
PS: Meninasssss!! Comecei a fazer comprassss!!!! Agora lascou hahahaha!!
Ainda esta semana vou inaugurar a seção "Compras" aqui no blog!
Preparem seus cartões de crédito! Hahahahahaha!!